Conhecer São Paulo: Teatro Municipal

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Eu sei que muita gente pensa que teatro municipal é tudo igual, até pode ser… Mas eu adoro assim mesmo, sobretudo porque amo óperas! Assim, vamos ao teatro municipal de minha cidade?

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De ladinho ele impressiona mais do que de frente.

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 Mais ele é muito mais bonito por dentro, conforme vocês poderão conferir nas próximas imagens.

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Agora vou falar do teatro. Inaugurado em 1911, esse teatro foi uma expressão de “civilidade” na provinciana São Paulo do início do século XX. Nessa época, a elite paulistana que se formava na cidade, leia-se barões do café, sentiam-se carentes de espaços como os que encontravam na Europa. O que fazer então? Tentar copiar o que havia de bom na Europa, oras. Como o poder público não tinha recursos, pois a cidade era ainda pobre, os endinheirados da cidade construíram o teatro; em contrapartida, ficaram 50 anos sem pagar impostos à prefeitura. Foi esse o negócio fechado. 

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Para efetivar essa empreitada, foi contratado o escritório de Ramos de Azevedo para fazer o projeto arquitetônico. Mas ele não trabalhou sozinho, não. Como não tinha experiência com esse tipo de construção, buscou ajuda de especialistas europeus em acústica para realizar a imponente obra, iniciada em 1903 e concluída em 1911.  Falando em arquitetura, percebemos um estilo arquitetônico eclético: neoclássico, art nouveau, barroco… Como seria difícil partir do zero e também porque os demandantes desse Teatro tinham “aflições europeias”, o projeto foi inspirado na grande ópera de Paris, a Garnier. Não tive oportunidade de conhecer a Garnier por dentro, mas por fora já impressiona, vejam!

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Ela é ainda mais bonita presencialmente.

Voltando ao Teatro Municipal, na inauguração, foi um furdunço só. Congestionamento de carros, imprensa e outros que tais. Claro que não era um espaço para a grande massa, porém parte desta ainda esteve presente. Do lado de fora, é claro. O que eles foram ver? Não apenas o teatro em si, mas a iluminação. Na época, era um dos poucos lugares com iluminação elétrica na cidade.

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A ópera que inaugurou o Teatro foi Hamlet, que nunca foi concluída, pois houve uma introdução com O Guarani, de Carlos Gomes (para ser bem brasileiro), o que resultou em atraso e não conclusão da ópera principal, pois ficou muito tarde.

Esse teatro também é famoso por causa da Semana de Arte Moderna. Por que escolheram esse Teatro para esse manifesto? Porque era quase europeu. Não havia lugar melhor em São Paulo para protestar contra a influência europeia e defender a cultura brasileira.

Agora, um pouco de detalhe de alguns espaços.

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Digam-me se não é luxo, poder, sedução e ryqueza! Vejam em detalhe aqueles vidros coloridos das janelas da primeira imagem do quarteto. Não reparem no enquadramento, pois não havia ângulo adequado para as fotos.

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Agora vou tratar de um lugar especial: o salão nobre. Inspirado no salão dos espelhos do Palácio de Versalhes (que vimos neste post), o salão nobre é um espaço de confraternização da elite, um lugar para ficar antes dos espetáculos e durante os intervalos. É aquele lugarzinho para circular, ver e ser visto e entre um canapé e outro falar mal da vida alheia.

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Vejam a razão de esse espaço não ser para qualquer um. 

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Agora botem reparo nos detalhes e fiquem imaginando detalhes folheados em ouro, mármores italianos, madeiras nobres como jacarandá, vidros importados…

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Fiz uma foto especial para mostrar o desenho dos vidros das portas. Pena que tinha um sujeito que não arredava o pé e estragou minha foto, mas ignorem-no e foquem no desenho. 

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O salão nobre só perde em boniteza para a sala de espetáculo, onde não foi possível fotografar. Sei que é chato, mas é só lembrarem de uma sala de espetáculo de qualquer lugar com eventos clássicos e somar à beleza que vimos nas imagens acima e terão a sala de espetáculo do teatro municipal de São Paulo. 

Vou finalizar com uma obra de arte. Não que o teatro em si já não seja uma, ao contrário, é um espetáculo (sem trocadilhos). Apresento-os uma bela escultura:

Diana caçadora, de Victor Brecheret

É a Diana caçadora, de Victor Brecheret. Essa escultura fica numa sala lateral próxima à entrada principal do teatro. Não é linda? 

Não posso deixar de dizer que é possível fazer visita guiada e gratuita a esse teatro de segunda a sábado. Vejam mais informações aqui.

Teatro Municipal de São Paulo

Praça Ramos de Azevedo, s/nº
Sé – São Paulo, SP
Fone: (11) 3053-2100

 

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