Rota de Artista: Dalida

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Você conhece Dalida? Aposto que a maioria não a conhece, ou pensa que não a conhece. Normalmente, aos que pergunto se conhecem Dalida me respondem negativamente. Até eu cantarolar a música do vídeo abaixo.

Paroles, Paroles – Dalida e Alain Delon

Bem, agora você percebeu que a conhecia também. Já que todos se lembram de quem é Dalida, posso falar um pouco mais sobre a vida dela.

Dalida: idolatrada na França, nascida no Egito, numa família italiana. Viva a globalização! Ela nasceu como Yolanda, tornou-se miss/atriz e virou Dalila, tornou-se cantora e virou Dalida. Viva a polinominalização (não sei se existe esse termo, mas significa: muitos (poli) +  ato de dar nomes (nominalizar) + “ão” para rimar com globalização).

Yolanda nasceu em 17 de janeiro de 1933, no Cairo. Em sua adolescência, tentou a carreira de modelo, participou de concurso de miss Egito e ganhou o primeiro lugar. A partir de então, tornou-se atriz e sua carreira internacional deslanchou.  A nova atriz ficou conhecida como Dalila. Aos 21 anos, ela foi para França tentar penetrar no showbiz francês, mas o cinema francês não estava fácil para estrangeiros. Em razão disso, ela fez aulas de canto, começou a fazer shows em casas de espetáculo e não demorou a se tornar uma revelação da música francesa.

 Paris, França

Olympia foi uma das casas de espetáculo em que Dalila se apresentou e fez grande sucesso. Tornou-se, então, Dalida. Foi promovida pelo diretor artístico Lucien Morisse, com quem se casou.

Dalida foi tão bem acolhida pelos franceses que chegou a superar Edith Piaf e Jacques Brel nas paradas de sucesso. Isso não é para qualquer um.

Sentia-se negligenciada pelo marido e, provavelmente, em razão disso, se apaixonou por Jean Sobieski, com quem ficou por pouco tempo. Azar no amor, sorte nos negócios. Seu sucesso continuou, tornou-se loura e foi à luta.

Na década de 1960, Dalida teve muito sucesso e chegou a fazer turnês internacionais. Nesse período, ela se mudou para uma bela casa em Montmartre. Eu fui até lá, vejam!

Paris, França

11, Rue d’Orchamps

Dalida viveu por 25 anos aqui. Essa casa parece um castelinho. Que Legal!

Paris, França

“Dalida viveu nesta casa de 1962 a 1987. Seus amigos de Montmartre não a esquecerão.”

O sucesso continuava, mas Dalida sonhava em encontrar um grande amor. Até que apareceu Luigi Tenco, um jovem italiano intempestivo e em início de carreira com quem ela desenvolveu alguns trabalhos. Namoraram. Mas, o rapaz era tão ansioso que não segurou a onda, se entupiu de álcool e de tranquilizantes e, por fim, se suicidou. Não bastasse o rapaz desatinado, Dalida também despirocou e tentou se suicidar com barbitúricos. Não teve êxito. Não dessa vez.

Já que não arrumava marido, resolveu ficar culta e sarada. Dalida passou a ler Freud, se interessou por filosofia e começou a praticar yoga. Fez várias viagens à Índia e iniciou análise terapêutica junguiana.

Já na década de 1970, ela reencontrou Alain Delon, um amigo antigo e dessa vez eles tiveram um affair. Nada boba ela, hein? Cantaram juntos Paroles, paroles, a música do vídeo no início deste post, e foi sucesso total.

Ainda na década de 1970, ela casou-se com o cantor Richard Chanfray. Paralelamente, seu sucesso mundial era estrondoso, inclusive em países árabes, suas origens.

Toda performática, Dalida chegou a fazer grande sucesso nos Estados Unidos, cantou na Broadway e no Carnnegie Hall. No começo da década de 1980, teve uma dolorosa separação de Richard Chanfray. Em 1983, esse último ex-marido cometeu suicídio em Saint-Tropez. Esqueci de falar que seu primeiro ex-marido, o Lucien, também se suicidou, em 1970. O que será que essa mulher causava nos homens, hein?

Esses suicídios todos de ex abalaram muito Dalida, que sempre terminava só. A carreira estava sempre ótima, mas a vida amorosa parecia insuficiente ou inexistente. Sem maridos e sem filhos, ela se sentia cada vez mais sozinha.

No dia 02 de maio de 1987, Dalida resolveu dormir para sempre. Desculpou-se: “Perdoem-me. A vida é insuportável.”

Seu espólio é invejável: ela cantou em 7 idiomas diferentes, vendeu 85 milhões de discos em todo o mundo e recebeu 55 discos de ouro.

Os franceses reconhecem sua contribuição. Em Montmartre, há uma praça com o nome da artista.

Paris, França

 Nessa praça, há seu busto.

Paris, França

A artista foi enterrada no cemitério de Montmartre, onde há uma estátua representando todo seu esplendor. Seu túmulo está sempre coberto de flores e homenagens de fãs.

Paris, França

Obrigada, Dalida.

Muito +

Veja o site oficial de Dalida

Veja toda a série Rota de Artista

Veja a série Parada em Paris

Veja o álbum fotográfico de Paris