Entendendo a mitologia: o mito de Prometeu

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 Para tratar do mito de Prometeu vamos começar pelo início. Já falei da origem dos deuses por aqui e na genealogia dos titãs já vemos o Prometeu.

+ Entendendo a mitologia: a origem
Genealogia deuses

 Jápeto, deus do tempo de vida humano e da mortalidade, e Climene tiveram quatro filhos Menécio, Atlas, Epimeteu e Prometeu. Estes dois últimos são as figuras principais para nossa história. Porém, antes de começar, saliento que há mais de uma fonte e, por conta disso, apresentações diferentes desse mito.

A primeira versão que vou apresentar é dada por Platão no diálogo Protágoras

Depois de organizar o cosmos, Zeus e os demais deuses resolveram criar os mortais. Para isso, incumbiu Prometeu (o que pensa antes) e Epimeteu (o que pensa depois) a distribuírem as qualidades necessárias para que uma espécie sobreviva sem ser aniquilada por outra. Epimeteu distribuiu aos bichos, utilizando como critério compensação, as qualidades que conhecemos de cada um: os ursos são peludos para aguentarem o frio, os felinos são velozes, os peixes respiram embaixo d’água etc. O problema é que ele distribuiu tudo que havia aos bichos, sem deixar nada aos homens, que ficaram nus, sem garras, sem velocidade etc.

Prometeu, ao perceber o erro do irmão e verificar que o homem não estava provido do que era necessário à sua sobrevivência, quis assegurar a salvação da espécie humana e roubou a astúcia ou sabedoria das artes (no sentido de técnica) de Palas Atena/Minerva e o fogo de Hefesto/Vulcano e os entregou aos homens. 

Roubo do fogo, de Christian Griepenkerl

Assim, os homens ficariam dotados das técnicas de plantio, confecção de roupas, construção, medicina, dentre outros; o fogo foi essencial para o cozimento dos alimentos, para a metalurgia etc. Porém, a sabedoria política faltou aos homens porque estava sob o poder de Zeus. Sem esse saber político, os homens viviam dispersos e eram ameaçados por outros animais que poderiam dizimá-los.

Por ter abalado a harmonia cósmica que havia estabelecido, Zeus puniu Prometeu mandando Hefesto/Vulcano prendê-lo, acorrentá-lo, num rochedo, onde todos os dias vinha uma águia que bicava seu fígado, que se regenerava à noite, mas era bicado novamente no dia seguinte. Como deus, Prometeu era imortal, o que significa que estava condenado a sentir dor eternamente. Zeus também puniu Epimeteu criando a Pandora, mas sobre isso farei outro post.

 Prometeu acorrentado, de Peter Paul Rubens

Prometeu acorrentado, de Tiziano (Museu do Prado)

Prometeu, de Sebastian Adam (Museu do Louvre)

Prometeu ficou nessa agonia até Hércules/Héracles matar a águia e libertá-lo, cumprindo um de seus doze trabalhos.

 Prometeu sendo resgatado por Hércules, de Christian Griepenkerl

A outra versão do mito de Prometeu está na Teogonia, de Hesíodo.

Hesíodo nos conta que Zeus puniu Prometeu por outras razões. Ao dividir um boi em duas partes, sendo que uma seria para Zeus e a outra para os homens, Prometeu reuniu carnes e vísceras e as cobriu com couro e reuniu apenas ossos e os cobriu com banha animal. Zeus escolheu a banha e não demorou muito para perceber que foi enganado. Furioso, Zeus castigou a humanidade negando-lhe aos homens o fogo. Prometeu, que deve ter pensado que não havia pisado na bola o suficiente, rouba o fogo e o entrega aos homens que tiveram sua inteligência reanimada, pois com a ausência do fogo haviam-se tornado apenas espectros. 

Prometeu agrilhoado (1868), de Gustave Moreau (Museu Gustavo Moreau)

O castigo de Prometeu, de Salvator Rosa  

Atlas, Prometeu e o abutre (Imagem deste link)

Como fogo “acende” a inteligência humana, tornando o homem capaz de se desenvolver tecnicamente por meio de construções, invenções etc., Zeus ficou irado e castigou Prometeu conforme dito acima.

Na peça de Ésquilo, Prometeu acorrentado, temos a parte que Hefesto/Vulcano está acorrentando Prometeu no Cáucaso. Zeus é mencionado como um deus cruel e injusto.

+ Resenha: Prometeu acorrentado (Ésquilo)

A principal lição extraída desse mito é a arrogância humana no domínio da técnica, que pode ser utilizada de maneira desmedida e antiética. No mundo antigo, os deuses puniriam essas práticas por considerá-la hibris (arrogância + potência + desmesura).

Muito +

Veja toda a série Entendendo a Mitologia

Veja a série Foco nas Artes 

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