Foco nas Artes: Laocoonte

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Vocês hão de se lembrar que eu visitei o Museu do Vaticano; se não lembram, refresquem a memória vendo este post. Dentre muitos destaques daquele espaço maravilhoso, neste post vou tratar de uma obra impressionante:

Laocoonte

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Essa escultura apresenta uma incrível expressividade (reparem no rosto dele) e grande beleza plástica. Quando a observamos de perto, mal podemos acreditar que tantos detalhes, como formas lineares e contração muscular foram talhados em mármore, material tão duro.

Sobre a escultura

O que sabemos sobre a escultura está descrito no volume 36 de Naturalis Historia, obra de Plinio o Velho, o qual nos informa que a escultura estava no palácio do imperador romano Tito e tem autoria atribuída a Agesandro, Polidoro y Atenodoro, escultores da ilha de Rodes. Os estudos revelam que a datação da obra é de 40 a. C., no entanto ela foi sua redescoberta no século XVI, quando o romano Felice de Fredi descobriu a escultura toda quebrada durante trabalhos de manutenção da sua vinha, localizada na zona das antigas termas de Tito. Michelangelo foi chamado para ajudar a identificar o achado e a reconheceu  como o grupo de Laocoonte descrito por Plínio.

Sobre o mito

Mas que história conta essa obra tão espetacular e grotesca ao mesmo tempo? Conhecemos a história de Laocoonte por meio do segundo livro de Eneida, de Virgílio, que narra o mito.  

+A Eneida ilustrada

Laocoonte era irmão de Anquises, o que significa que era tio do Enéias, de Eneida. Era também sacerdote de Apolo, o deus que o castigou com as serpentes. Quanto ao motivo do castigo, há controvérsias. Vamos a elas. Uma versão nos conta que Apolo castigou Laocoonte porque este se casou e teve filhos (Antífantes e Timbreu) contra a vontade do deus. Outra versão nos diz que Laocoonte irritou o deus por ter arremessado sua lança contra o cavalo de Tróia. Por uma razão ou por outra, Apolo enviou as serpentes para matar os filhos de Laocoonte, que, ao tentar salvar os rebentos, foi morto.

Outras representações de Laocoonte

Provavelmente, Michelangelo ficou bem impressionado com a escultura atribuída a Agesandro, Polidoro y Atenodoro. Vejam um detalhe que ele pintou na Capela Sistina. 

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É a . Percebam como a serpente se enrosca no corpo dos personagens tal qual na imagem de Laocoonte.

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Na imagem acima, temos mais uma representação de Laocoonte no enrosco com a serpente. A escultura é um friso que está no Museu Pérgamo, em Berlim. 

El Greco também representou Laocoonte em seu rico jogo de luz e sombra. Ao fundo temos a vista de Toledo, cidade espanhola onde vivia o autor.

Acima temos uma gravura de Marco Dente, representando Laocoonte, a serpente e seus filho, em primeiro plano, e construções gregas, como segundo plano.

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O magnífico Paul Peter Rubens também representou a história de Laocoonte.

Laocoonte.Blake

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No começo do século XIX, o poeta inglês William Blake fez uma gravura representando a história de Laocoonte. 

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Mais recentemente, temos essa adaptação da história de Laocoonte representada por uma mulher. A obra, A Laocoonte, é de autoria da escultora italiana contemporânea Lea Monetti.

Há inúmeras esculturas de Laocoonte por aí (Galeria Uffizi, em Florença; Parque do Ibirapuera, em São Paulo), mas a original é a do Museu do Vaticano. 

Muito +

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