Foco nas Artes: Les demoiselles d’Avignon (Picasso)

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Dando continuidade à série Foco nas Artes novamente falarei de Picasso.

Vocês sabem que recentemente fui ao MoMA, em Nova York, lembram?

+ Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA)

Uma das principais obras do museu e a que mais me despertou interesse para conhecê-lo foi…

Les demoiselles d’Avignon, de Picasso 

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Elaborada em 1907, essa obra é um marco da história da arte porque já anuncia o cubismo e é um pictórico que já dialoga com o abstrato. Mas quem são essas senhoritas de Avignon? São cinco prostitutas de um bordel na rua Avignon, em Barcelona, espaço muito conhecido por Picasso. 

Há quatro elementos principais que merecem ser observados nessa obra: a geometria dos corpos, o jogo de luz e sombra, a sensualidade desinibida e os rostos esquemáticos.

A geometria em corpos que antes eram sempre representados em formas arredondadas causou muito furor na época. Picasso já parece nos dizer que sua linha vai adotar outros cursos que não a curva ou a esfera. E adotou mesmo. Tanto que evolui para algo assim:

O jogo de luz e sombra de maneira bem dramática nos remete a um autor muito conhecido nesse quesito. Estou falando de El Greco. Como influência direta a essa obra de Picasso, temos uma obra específica de El Greco:  A abertura do quinto selo (Museu Metropolitan, Nova York).

+ Museu Metropolitan de Nova York

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Percebam a dramaticidade na mistura das cores para fazer a composição. E agora comparem as duas imagens.

As duas personagens centrais estão olhando diretamente para o espectador, num convite sensual. Essa sensualidade desinibida nos remete a duas outras imagens famosas. A primeira é a imagem do nascimento de Afrodite/Vênus.

Já contei o contexto do nascimento de Afrodite/Vênus por aqui, por isso não vou repetir. Também já contei como a imagem dela foi substituída pela da madona, alegoria religiosa.

+ Entendendo a mitologia: a origem

+ Origem do culto à imagem da madona

Dentre outras coisas, Afrodite/Vênus era a deusa da sexualidade, mas em razão do cristianismo sua imagem passou a ser condenada. As artes plásticas foram, aos poucos recuperando a imagem sensual dessa deusa.

A outra obra que nos ajuda a entender a sensualidade na obra de Picasso é Le déjeneur sur l’herbe, de Manet.

Nessa imagem de Manet, temos a figura de uma mulher que nos olha diretamente, o que significa que não é uma alegoria, já que esta sempre “se comporta” como se não soubesse estar sendo observada e tampouco observa. O fato de estar olhando diretamente ao espectador faz pressupor que se trata de uma mulher da sociedade.

Assim, as demoiselles de Picasso estão dialogando com a tradição de Afrodite/Vênus e a ruptura proposta por Manet.

Porém ainda há mais; percebam os rostos das imagens. Os rostos esquemáticos parecem máscaras. E são mesmo. 

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No final do século XIX Picasso estava muito interessado em máscaras africanas e arte “primitiva” em geral. Reparem na imagem abaixo e comparem com os rostos da imagem do quadro. 

O estudo da arte “primitiva” fez Picasso acreditar que tudo já estava pronto havia muito tempo, e a contemporaneidade não conseguia criar nada de original.

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Na imagem abaixo, temos o trabalho da artista holandesa Ella Buziau, que recriou a obra de Picasso com mais quatro modelos depois de “photoshopar” a imagem original e utilizá-la como segundo plano.

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 Les demoiselles d’Avignon é uma das obras mais famosas de Picasso e também da história da arte, além de ser uma das mais famosas do século XX. Foi uma nova proposta, de ambiente e deu continuidade à ruptura com as alegorias clássicas, como já havia feito Manet e alguns outros.

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