Foco nas Artes: A morte de Sócrates (Jacques-Louis David)

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 Mais um post da série em que comento uma obra que vi em algum museu pelo mundo. Dessa vez, o museu em questão é o Metropolitan, em Nova York, museu fantástico, que me fez elaborar um post só para ele.

+ Nova York: Museu Metropolitan 

 E a obra da vez é…

A morte de Sócrates (1787), de Jacques-Louis David

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Podemos interpretar essa obra facilmente após a leitura de Fédon, de Platão, diálogo que relata os últimos ensinamentos de Sócrates e que representa a configuração física de sua morte (amigos presentes, condições locais etc.). 

Apesar de ter se inspirado em Fédon, David teve a liberdade artística de alterar e incluir elementos a partir de sua própria interpretação: ambiente romano (percebemos isso pelas portas em formato de arcos), presença de Platão (segundo Fédon, Platão não estava presente), maior número de discípulos.

Vamos à descrição da imagem.

O homem desesperado, encostado à parede do corredor é Apolodoro, discípulo de Sócrates, que estava inconformado com a condenação do mestre e, mais ainda, com a serenidade dele apesar da proximidade da morte. Sócrates reclamou de seu comportamento dramático (o filósofo já havia pedido para as mulheres se retirarem por conta do dramalhão).

Criton é o homem sentado, ao lado de Sócrates e com a mão no joelho deste, também era um discípulo de Sócrates. No diálogo platônico Criton, este visita Sócrates na prisão e tenta convencê-lo a fugir, mas o filósofo se recusa a isso e faz um discurso sobre a necessidade de se cumprir o dever.

Platão, que não consta na cena, conforme Fédon, na obra de David tem aparência mais tranquila, comportamento próximo ao da serenidade de seu mestre. Ele é o que está sentado ao pé da cama, recolhido em seus pensamentos.

Agora vamos ao principal: o comportamento de Sócrates com a eminência de sua morte.

Em Fédon, Sócrates faz um discurso sobre a imortalidade da alma, daí sua tranquilidade em relação à morte. Segundo ele, a morte é uma das melhores coisas que pode acontecer porque é o momento que se livra do corpo para triunfar na eternidade. Seu gesto indicando para cima, e a displicência com que tenta pegar a taça de cicuta simboliza o efeito que essa percepção do mundo e da morte tem sobre ele. 

No vídeo abaixo, comento os diálogos platônicos Apologia de Sócrates, Criton e Fédon, além de comentar as circunstâncias da morte do filósofo e faço comparações com a morte de Cristo. Confiram!

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