Sistemáticas: prisão e morte de Maria Antonieta

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Vocês se lembram da Maria Antonieta? Aquela rainha louca dos brioches… já falei dela algumas vezes neste blog. Pois bem, este post é sobre a vida dela, ou melhor, a morte dela.

Devo confessar que com a história dos brioches essa rainha me pareceu antipática e sem-noção, mas, ao conhecer mais de perto sua condição, fiquei até penalizada. Vocês também vão ficar. Venham comigo!

Vimos no post sobre Versalhes que Maria Antonieta, esposa de Luís XVI, vivia nesse Palácio até a Revolução Francesa. Se não se lembram de como é o Palácio, deem uma olhadinha no post sobre ele. Coloco uma foto da parte externa, apenas para lhes refrescar a memória.

Palácio de Versalhes

Maria Antonieta (Viena, 02/11/1755 – Paris, 16/10/1793), ou Marie Antoinette, era austríaca e casou-se com 14 anos com o que seria o futuro rei da França, Luís XVI. Esse casamento foi uma tentativa de aliança entre os dois países, historicamente inimigos. Contudo, a recepção à Maria Antonieta não foi nada agradável. Detestada pela corte – que se referia a ela fazendo trocadilhos, como  l’autrichienne  (= a austríaca) e l’outre chienne (= a outra cadela), termos como o mesmo som, em francês – a rainha também não era benquista pelo povo, que a considerava perdulária e defensora dos interesses austríacos.

No final do século XVIII, a situação política na França se agravava, os impostos eram altíssimos e havia muita fome. Nesse contexto, em que a realeza foi informada sobre a insurgência do povo que não tinha pão que a rainha soltou a famosa pérola: “Por que eles não comem brioches?”. Parece provocação, né? Mas não era, era alienação mesmo. De modo geral, as cortes sempre estiveram muito distantes da realidade do povo. Luxo e ostentação da elite à custa de miséria e fome do povo parece ser uma realidade que se replica em vários países. Até nos dias atuais.

Voltando à rainha, com a Revolução Francesa, os revoltados invadiram o Palácio de Versalhes, expulsaram de lá a monarquia e os prenderam. Resumindo a história, em 1791 a família real tentou fugir, a famosa Fuga de Varennes, mas foi capturada. No retorno à Paris, a população em polvorosa queria linchar o ex-rei e estrangular Maria Antonieta. Há um excelente filme que mostra esse período da Fuga de Varennes até a decapitação do casal real: Casanova e a revolução, de Ettore Scola.

Essa fuga selou definitivamente o destino da família real. Passou algum tempo em que os revolucionários se dividiam em seus posicionamentos políticos, até surgir o Período do Terror foi um período, que começou com a queda dos girondinos, em de agosto de 1792, e terminou com a prisão de Robespierre, em julho de 1794. Durante o Período do Terror foi instituído o Tribunal Revolucionário, que julgava casos políticos. Imaginem o que aconteceu com a ex-monarquia…

Vejam abaixo a imagem de Maria Antonieta se dirigindo ao Tribunal Revolucionário. O quadro foi pintado por Paul Delaroche e pertence à coleção Forbes, de Nova Iorque.

Delaroche

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Ao se dirigir ao tribunal a ex-rainha já sabia qual seria sua sentença. Foi condenada à morte. Antes disso, em 1793, ela ficou na Conciergerie, prisão considerada como a antessala da morte durante o Período do Terror. Vejam a bela construção renascentista que é a Conciergerie:

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Sei que vocês se lembram que estive lá. Vimos tudo neste post, mesmo assim destaco a imagem que me pareceu mais forte: a reconstituição da sala de Maria Antonieta, a última rainha da França.

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No período em que ali ficou, Maria Antonieta rezava, escrevia cartas à irmã, recebia padres para abençoá-la e era sempre vigiada. A ex-rainha só saiu da Conciergerie para a guilhotina. Vejam na imagem de Maria Antonieta sendo levada para a guilhotina, em 16 de outubro de 1793. Esse quadro foi pintado por William Hamilton. 

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 Imagem deste link

Desde sua saída da Conciergerie até o trajeto para a guilhotina Maria Antonieta foi xingada e humilhada pelo povo ainda revoltado. Abaixo, vemos a imagem do quadro de Joseph-Emmanuel van den Büssche, que retrata o pintor Jacques-Louis David pintando a última imagem em vida de Maria Antonieta.

david-marie-antoinette

Imagem deste link

O desenho que David fez foi este aqui, ó:

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Imagem deste link

Pareceu-me que ela está mais acabada no desenho do que no quadro, mas cada um representa os fatos como os veem. Ou como quer que ele seja recordado.

Tanto o quadro de William Hamilton quanto o Joseph-Emmanuel van den Büssche e o desenho de Jacques-Louis David  estão expostos no Museu da Revolução Francesa de Vizille, região de Grenoble. Eu fui até lá e vocês se lembram, não é? Não?

+ Vizille e a Revolução Francesa 

Dentre as várias gravuras que retratam a execução de Maria Antonieta, selecionei esta: 

marie16-detail

Imagem deste link

A decapitação da ex-rainha aconteceu na então Place Louis XV, hoje essa praça tem outro nome:

Place de la Concorde

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Abaixo, eis a máscara uma imagem mortuária feita em cera por Madame Tussaud. Agora vocês já sabem porque os famosos museus de cera de Londres, Amsterdam… têm esse nome, não?

marie_antoinette_mask

Imagem deste link

A lâmina da guilhotina que decapitou Maria Antonieta está no Museu Madame Tussaud, em Londres.

marie-antoinette-guillotine

Imagem deste link

Se quiserem saber mais detalhadamente sobre a vida de Maria Antonieta, recomendo o filme homônimo de Jean-Claude Carrière. Vejam o filme completo neste link.

Estava esquecendo de dizer que, naquela época, a guilhotina era considerado um modo “mais humano” de execução da pena de morte. Ui!

Muito +

Veja a série História das Coisas

Veja a série Parada em Paris

Veja também o álbum fotográfico de Paris