Lucerna: simplesmente maravilhosa!

Lucerna, Suíça
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Lucerna é maravilhosa! Ela tem a beleza das cidadezinhas pequenas da Suíça, mas tem o dinamismo e o frescor de uma cidade de médio porte. Tudo isso somado a uma carga histórica que remonta à Idade Média. Adorei Lucerna, moraria aqui tranquilamente. Vejam o porquê?

Meu passeio começou pelo que é mais bonito e chamativo:

Ponte Capela (Kapellbrücke)

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Essa é a ponte de madeira mais antiga da Europa. Ela tem 204 metros e foi construída em 1333 para defesa da cidade. Parte da ponte foi destruída por um incêndio em 1993, mas os suíços são rápidos e em 1994 a ponte já estava toda reconstituída.

Olhem eu, toda feliz na ponte.

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Ao lado da ponte tem o que vocês já viram na primeira foto:

Torre de Água (Wasserturm)

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Essa torre octogonal é muito medieval! Ela tem mais de 34 metros de altura e foi construída por volta de 1300 como parte da muralha da cidade. Ela já foi usada como arquivo, tesouro, prisão e local de tortura. É o símbolo de Lucerna e o monumento mais fotografado da Suíça.

Perambulando em torno da ponte e da torre, fui parar no…

Muralha Musegg (Museggmauer)

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É uma muralha construída na idade média para defender a cidade. Três dessas torres são abertas ao público. Eu entrei nas três! Essa é a única coleção de torres antigas com relógio (1526-1820). Em uma das torres está o mais antigo relógio da cidade, construído em 1535. Esse relógio badala um minuto antes de todos os outros da cidade. Que privilégio! Eu subi em uma das torres, me enveredando por degraus estreitos, altos e íngremes só para conseguir essa imagem:

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Seguindo a muralha até o fim, fui parar no…

Centro histórico

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O centro histórico de Lucerna é pequeno, com ruas estreitas e construções fabulosas. É a principal área de comércio da cidade.

Saindo do centro histórico, atravessei a rua e fui ver o famoso…

Monumento do leão (Löwendenkmal)

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É um leão enorme, encravado na rocha, muito triste, parece até que está morrendo. Esse monumento foi feito em rocha natural em memória da morte heroica dos mercenários suíços em Tuileries, em 1792.

Em frente ao momumento do leão, há o…

Alpineum

Apineum

Imagem deste link

Eu não chamaria isso de museu, mas também não sei que nome dar a ele. A propaganda do Alpineum diz que é um museu com efeito 3D que faz a gente se sentir transportado para o meio dos alpes. Mas eu não vi nada disso, não. Um senhor me mandou entrar e não havia mais ninguém lá dentro. Não vi nenhum efeito 3D, fiquei imaginando se eu teria que apertar alguma coisa, mas fiquei com medo de fazer coisa errada. Li tudo que estava escrito e saí de lá com a sensação de que tinha sido ludibriada.

Ainda sem entender o que aconteceu, andei alguns metros e fui contemplar a…

Igreja Hof (Hofkirche)

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Essa igreja é a mais importante igreja renascentista construída na Suiça. No século XVIII, foi fundado um monastério beneditino no local, que se tornou a principal catedral e centro religioso para a população da cidade. Em 1633, um incêndio destrui a igreja e essa foi construída em 1645, em substituição à original. As torres dela chamam muito a atenção. Vi várias torres assim nas cidades por onde passei aqui, na Suíça.

Olhei no mapa para ver o que ainda faltava visitar e percebi uma indicação distante do centro histórico e na pontinha inferior do mapa, quase escorregando. Atravessei ruas, caminhei, caminhei, caminhei, pedi informação e percebi que era melhor pegar um ônibus. Um ônibus depois, perguntei novamente, após indicação, caminhei, subi escada, atravessei ponte e me enveredei por um parque adentro para encontrar o…

Richard Wagner Museum

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Em 1866, Wagner alugou essa casa de campo em Lucerna, onde viveu por 6 anos. Esse museu não conta toda a vida de Wagner como faz o do Einstein em Berna.

Nada bobo, o Wagner. Vejam o que ele via através da janela:

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o lago de Lucerna.

Nesse museu, são apresentados detalhes da vida de Wagner durante o tempo em que ele viveu em Lucerna. Há objetos pessoais do músico, como pantufas, peças de roupas e móveis. Há também bustos de Wagner, da esposa e de amigos como Ludwig II, Liszt e Nietzsche. Só para deixar tudo um pouco mórbido, há também uma máscara mortuária de Wagner e outra de Nietzsche. Eu já sabia da amizade entre Wagner e Nietzsche e também sabia que o músico era um apaniguado de Ludwig II, o jovem rei da Baviera (sabem quem pagava o aluguel dessa casa? Ludwig II), mas eu não sabia que Wagner teve um caso com a irmã de Liszt, a Cosima, que era casada, largou o marido e veio morar aqui em Lucerna com Wagner. Os dois se casaram aqui.

Deixando a fofoca de lado e voltando ao que convém, o que há de mais interessante nesse museu, em minha opinião,  é o piano. Foi com esse piano que Wagner compôs a ópera Tristão e Isolda

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Curiosidade histórica. Quem não gostar de história pode pular este parágrafo. Você sabia que Wagner chegou a pensar em estrear a ópera Tristão e Isolda no Rio de Janeiro? Nosso imperador D. Pedro II era um amante das ciências e das artes, ele ficou sabendo que Wagner andava mal das pernas (como sempre!) e resolveu contribuir financeiramente para a execução do projeto wagneriano de longa data. O imperador, por meio do cônsul brasileiro em Leipzig convidou Wagner para encenar suas óperas no Teatro Lírico do Rio de Janeiro. O compositor até pensou em se mudar para o Rio. A estreia foi pensada para 1857, mas Wagner recebeu uma grande contribuição financeira de Otto Wesendonck e se mudou para Paris. A estreia da ópera só  ocorreu em 1865, em Munique.

É óbvio que o Museu do Wagner não menciona essa passagem.

Saí desse museu já pensando em ir embora e rumei para a estação de trem, mas logo atrás da estação vi uma construção que destoa das demais da cidade. O edifício abriga algo que me interessou muito:

Museu de Arte de Lucerna (Kunstmuseum Luzern)

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É uma construção bem moderna, com muito aço e muito vidro. O museu fica penúltimo andar do prédio e por meio do vidro avistamos a cidade e todo o movimento do Lago Lucerna. O museu é muito grande! Há muitas salas labirínticas e só há arte contemporânea. Como ele tem o mesmo nome do museu de Berna (Kunstmuseum), onde há arte moderna e arte contemporânea, pensei que nesse encontraria arte moderna também. Só que não.

A arte não pode precisar de legenda para se significar. Se há necessidade de legenda o problema está na obra ou na audiência. Me peguei tentando ler algumas legendas para ver se compreendia alguma coisa. Continuei do mesmo tamanho porque as legendas estavam em alemão. Pior do que isso, me senti diminuída porque não compreendo alemão. Então, nesse caso, o problema é da audiência.

A arte contemporânea tende a me causar duas sensações: 1) há uma artista em potencial em mim, pois me sinto capaz de fazer algo semelhante ou melhor; 2) sou retrô demais para me identificar com o contemporâneo. Um professor de artes que tive disse uma vez que na contemporaneidade, qualquer coisa pode ser arte desde que o artista diga que é arte e seus pares concordem com ele. Acho que isso começou com aquela privada do Duchamp.

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Rapidinhas

Há uma parte do Museu do Wagner em que há várias explicações em alemão, sem tradução para o inglês ou para o francês. Fiquei sem acesso a esse conteúdo. O mesmo ocorreu no Kunstmuseum. Detesto isso. Nesses momentos tenho vontade de saber vários idiomas só para não ser excluída. A minha vontade de aprender um pouco de alemão está aumentando. Já aprendi algumas palavras e algumas pronúncias.

Tô me acabando nos iogurtes suíços, são mais cremosos que os brasileiros, têm mais frutas e não são azedos.

Muito +

Veja os posts sobre outras regiões da Suíça: Genebra, Berna, Interlaken, Jungfrau, Zurique e Montreux

Veja o álbum fotográfico de Lucerna

Veja também o álbum fotográfico da Suiça 

8 Comentários

    • Oi, Roberta.

      Conseguir você consegue, mas dá muita pena em não poder aproveitar melhor Lucerna, que é a mais linda em minha opinião. Comece seu passeio cedo e dispense idas a museus grandes ou distantes, como a casa de Wagner. Assim é possível fazer tudo em um só dia.

      Um abraço,

      • Carmem, vc me sugere cancelar Berna? Ou deixar Berna para dividir com 1/2 período em Interlaken. Pois o passeio de jungfrau vai o dia todo. Estou apaixonada pela Suiça. Muito obrigada

      • Oi, Roberta.

        Desculpe-me pela demora em respondê-la. Estava doente.
        Não cancele Berna, não. A cidade é uma graça, mas pequeninina. Se você vai para Interlaken e não pretende ir até Jungfrau, acho que dividir um dia para Berna e Interlaken está bem. As duas cidades são lindinhas, mas bem pequenas. O passeio até Jungfrau consome um dia inteiro.
        Um abraço e boa viagem.

      • Carmem muitíssimo obrigada. Terei 3 dias na Suiça e vou fazer o passeio de Junkfrau. Vou tentar dar uma volta em Berna em meio período. E deixarei um dia todo para Lucerna. Abraços

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