Cafés e intelectuais – Grandes Boulevards

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Na primeira parte desta série sobre os cafés parisienses, tratei da região do Palais Royal. Após o rei Louis-Philippe ter desativado as salas de jogos, a área de interesse passou a ser:

Grandes Boulevards

Em algum post do PeP eu disse que a pedido de Napoleão III, Haussman, na segunda metade do século XIX transformou Paris drasticamente, derrubando casas, criando parques, abrindo avenidas e os famosos boulevards. Foi nesse momento histórico que surgiu o hábito parisiense de estar em cafés, lendo, conversando ou simplesmente comendo. O aspecto medieval da cidade estava ficando para trás, o que significa dizer que as ruas escuras e estreitas cederam lugar às avenidas amplas e iluminadas. Os  cafés colocavam as mesinhas nas calçadas para os clientes apreciarem a nova paisagem. Até hoje é assim: as cadeiras dos cafés e restaurantes de Paris, além de estarem na rua, são voltadas para a rua para que os parisienses pudessem apreciar a modernidade da cidade.

Os cafés passaram a se tornar tão populares que começaram a roubar clientela das tavernas e dos cabarés. A taverna, símbolo medieval, já não combinava tanto com a cidade moderna que surgia, ao passo que os cafés eram elegantes e bem frequentados. Os cabarés foram se especializando em danças com mulheres com menos roupas, sobretudo sem anáguas, para tentar manter a clientela masculina. Assim surgiu o cancan.

Esse é o contexto do surgimento da maior parte dos cafés da cidade no século XVIII. No entanto, antes de a modernidade chegar a Paris, já havia cafés, ao menos, um café. Refiro-me ao…

Le Procope

Le Procope

13, Rue de L’Ancienne Comédie

Inaugurado em 1673, Le Procope é considerado o considerado o primeiro café de Paris. Alguns até o consideram o primeiro café do mundo. Até hoje ele funciona no mesmo lugar. Esse café um local frequentado por Molière, grande dramaturgo, por Voltaire, escritor e filósofo, Diderot e Rousseau, filósofos iluministas. Imagino que Voltaire e Diderot tenham se encontrado nesse café várias vezes para discutir os ideais que se tornariam as diretrizes da Revolução Francesa e sistematizar a Enciclopédie. Outro frequentador famoso do local foi Benjamin Franklin, que redigiu um capítulo da Constituição Americana aqui. Dentre os literatos, grandes frequentadores do Le Procope foram Balzac, George Sand, Alfred Musset e Verlaine.

Continuando na região dos grandes boulevards, outro lugar famoso é o…

Café de la Paix

Paris, França

12, Boulevard des Capucines

Famoso e chique. Próximo à Ópera Garnier, o Café de la Paix foi inaugurado em 1862, no auge do processo de modernidade da cidade. Os famosos que frequentavam esse espaço eram Émile Zola, escritor francês; Oscar Wilde, escritor irlandês; Guy de Maupassant, Andre Gide e Tristan Bernard, escritores franceses; Joséphine Baker, cantora e dançarina americana naturalizada francesa; Marlène Dietrich, atriz alemã. Foi aqui que Hemingway escreveu algumas passagens de O sol também se levanta.

Bem próximo ao o Café de la Paix  está o…

Café Drouant

Café Drouant

18-16, Rue Gaillon  (Imagem deste link)

Aberto em 1880, desde o começo o Café Drouant passou a ser frequentado pela elite parisiense, tanto a artística quanto a política. O lugar ficou famoso pelos excelentes peixes e frutos do mar que eram servidos. Frequentavam o espaço: Renoir, Rodin, Pissaro, Monet e outros artistas; dentre os políticos: Georges Clémenceau, Mirabeau e outros. Por isso, nos salões estão gravados nomes de Ravel, Apollinaire, Rodin, Colette…

Próximo ao Café Drouant estava o…

Café Anglais

13, Boulevard des Italiens

Inaugurado em 1882, esse Café era um point para os amantes não apenas da bebida quente, mas também aos que gostavam de uma boa mesa. Pessoas se reuniam aqui para tomar café da manhã, almoçar, jantar, ceiar etc. Dentre as celebridades que ajudaram a fazer a fama do Café Anglais estão Alfred de Musset, Barbey d’Aurévilly, Alexandre Dumas e outros.

Esse café também consta em obras literárias. Em O pai Goriot, Balzac faz Rastignac e Mme de Nucingen frequentarem o local; em Educação sentimental, de Flaubert Frédéric Moreau almoça aqui; em No caminho de Swan, Proust faz o herói procurar por Odette aqui; em O americano, Henry James cita o lugar. Atualmente funciona outro café no local.

Muito +

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Veja também o álbum fotográfico de Paris