Resenha: A rainha Ginga (José Eduardo Agualusa)

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Mais uma contribuição de literatura africana, mais precisamente, angolana:

A rainha Ginga, de José Eduardo Agualusa

O enredo

Luanda, século XVII. O ex-padre pernambucano Francisco José da Santa Cruz conta suas memórias dos tempos de juventude, quando ainda era padre e foi para Luanda e prestou serviço como secretário da rainha Ginga. Através desse contato com a rainha, o narrador traça as características dela e de seu governo.

Um parágrafo para a rainha Ginga (1583-1663). Depois da morte do irmão e do sobrinho, Ginga assumiu o reino, que contemplava vastos sertões da costa ocidental da África, incluindo Luanda (na época Angola ainda não existia). Ela exerceu o poder com altivez e astúcia, tanto  nas negociações políticas quanto nas relações pessoais. No âmbito político, estabeleceu alianças com os holandeses, comandou seus exércitos contra outros reis africanos e contra tropas luso-brasileiras; ou seja, atuou energicamente em relações diplomáticas, guerra civil e colonizadores. Altamente estratégica, ela traçava táticas de guerra, sempre visando o aumento do seu reino. Para ter tanta liberdade de atuação, ela até se converteu ao catolicismo, sendo batizada como dona Ana de Souza. No âmbito pessoal, que também é político, ela manteve uma coleção de esposas. Isso nada tem a ver com homossexualidade. Suas esposas eram homens que se vestiam como mulheres,  servindo-a como escravos. Também se casou várias vezes com chefes militares, visando aliados políticos.

Voltando à narração de Francisco, em meio a várias missões do ofício, ele larga a batina. Assim, acompanhamos suas idas e vindas em diferentes regiões e continentes, envolvendo rapto, tortura e sexo. 

A narrativa

O texto é relatado em primeira pessoa pelo padre Francisco, que faz a narração em discurso indireto, com poucas passagens de discurso direto. Particularmente, não gosto muito dessa técnica narrativa porque me sinto fora da obra. O relato distanciado nos priva de um dos grandes pontos de interesse de uma narrativa, que é a tensão causada pelo acompanhamento pontual e imediato dos fatos.

Minhas impressões e expressões

Confesso que esperava gostar mais desse livro. Apesar de o texto ter escrita fácil, um dos motivos que não me fez gostar muito foi a narração, conforme expliquei acima. O outro motivo é que achei a história superficial demais. Embora o título e a capa aludam à rainha Ginga, o texto não se centra nela, mas nas aventuras do (ex)padre Francisco.

Assista ao vídeo e veja minhas impressões e expressões sobre o livro:

Viagem na leitura, já que a vida real é insuficiente!

Muito +

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