Resenha: A Relíquia (Eça de Queirós)

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Um pouco de literatura portuguesa porque já estava com saudades. Com vocês:

A relíquia, de Eça de Queirós

O enredo

Teodorico, órfão de pai e mãe, quando criança foi morar com sua tia, Patrocínio, uma senhora, seca, dura, moralista e extremamente carola a quem interessa apenas o universo da religião. Teodorico cresce, se forma em Direito e torna-se um grande apreciador dos prazeres que a vida pode proporcionar. Ao perceber que para herdar a gorda herança da tia ele deveria se comportar como ela (adorando santos e venerando o senhor), o que é totalmente incompatível com a vida que gosta de levar, Teodorico passa a viver uma vida dupla: não deixa de curtir os prazeres da vida, mas os camufla perto da tia, a quem dá demonstrações exageradas (e hipócritas) de fervor religioso. Ele não é apenas indiferente à religião, mas comete o que muitos poderiam chamar de blasfêmia, pois refere-se a Cristo como “o filho do carpinteiro”. Um dia, sua tia pede que Teodorico vá a Jerusalém, à terra santa, e que a traga uma relíquia. Ela ainda o recomenda a não se envolver com mulheres, situação que ele sabia que acarretaria perda da herança. Teodorico faz a viagem e não dispensa a esbórnia pelo caminho afora. Chegando a Jerusalém e vivencia uma experiência inusitada sobre a paixão de Cristo. Quando retorna à Lisboa, sua vida muda radicalmente.

 A narrativa

 O texto é narrado em primeira pessoa pelo protagonista de forma retrospectiva; essa condição e o desenrolar do enredo confere ao texto uma moral da história difícil de ser esquecida. Eça de Queirós lança mão de um recurso muito comum no século XIX que é um depoimento inicial, um texto sobre o texto, que leva o leitor a acreditar na veracidade do que vai ser relatado. Mas sabemos que esse texto inicial também é parte da narrativa, um recurso estilístico. Isso me remete à antiguidade clássica, quando Homero se dizia um escolhido pelas musas para narrar o acontecido ou quando o poeta grego apelava às musas que lhe “refrescassem a memória”. Esse recurso pretende isentar o autor de subjetividade, de parcialidade, simulando a veracidade dos fatos.

Minhas impressões e expressões

Gostei muito dessa obra! Não tinha nenhuma referência dela antes da leitura… A hipocrisia religiosa e a moral nada moralista da estória nos faz refletir bastante. Já li Eça de Queirós antes, sei que escreve bem e tem bons enredos, ainda assim A relíquia foi uma grata surpresa.

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Viaje na leitura, já que a vida real é insuficiente!

Muito +

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