Resenha: A bela e a fera (Clarice Lispector)

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Neste post tratarei de um conto que já tem o título (ou os títulos) bem reveladores. Novamente, me rendo à Clarice Lispector no maravilhoso conto…

A bela e a fera ou A ferida grande demais

O enredo

Numa ida ao salão de beleza, Carla de Sousa e Santos, bem posicionada socialmente, encontra um mendigo com uma ferida na perna, com quem entabula uma curta conversa. Curta, mas suficientemente longa, para desestabilizá-la e fazê-la repensar, ou justificar, suas escolhas na vida.

A narrativa

Como é comum nos contos de Clarice Lispector, que abordam a temática de repensar a vida, a autora mescla a narração em terceira pessoa por um narrador onisciente (aquele que não participa dos fatos, mas sabe tudo que acontece) e o fluxo de consciência (que faz com que o leitor se sinta dentro do cérebro do personagem, em contato direto com a “enxurrada” de pensamentos deste). Essa escolha narrativa exalta os conflitos internos do personagem e, ao mesmo tempo, facilita a identificação, ou não, do leitor com o personagem.   

Minhas impressões e expressões

Esse conto me faz lembrar de dois outros, também da Clarice, O búfalo (ver resenha aqui) e Amor (ver resenha aqui). Ainda é mais próximo deste último. Todos tratam de uma mulher, já com certa experiência de vida, que passa por algum conflito interno, ocasionado por uma motivação externa – em alguns casos, um momento epifânico – que a faz repensar sua vida, percebida como bege, mas que antes era considerada cor-de-rosa. No caso específico deste conto, quem é o mendigo afinal? Adoro!

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Viaje na leitura, já que a vida real é insuficiente!

Muito +

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