Resenha: A bibliotecária de Auschwitz (Antonio G. Iturbe)

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Em homenagem ao dia dos bibliotecários, 12/03, farei resenha de um livro pesado, mas em que o livro e a bibliotecária têm papéis cruciais: 

A bibliotecária de Auschwitz, de Antonio G. Iturbe

O enredo

 No campo de concentração de Auschwitz, sob condições precárias, funciona uma escola para crianças. No entanto, além da ausência de material escolar, os livros também eram proibidos. Nesse contexto, uma adolescente de 14 anos, escolhida por um líder carismático responsável pela “escola”, torna-se a bibliotecária do local. Sua função é distribuir, consertar e esconder os 8 livros conseguidos à surdina no campo de concentração. Num ambiente de fome, trabalhos forçados, traições, execução sumária e genocídio, as crianças conseguem aprendem muita coisa com a ajuda dos professores, dos livros e dos “livros vivos”, professores que tinham livros decorados e os narram, bem ao estilo de Fahrenheit 451. Nesse ambiente, os livros ganham um status de objeto mágico, que proporciona histórias fantásticas que possibilitam que a imaginam voe para o mundo exterior. A vivacidade e a curiosidade da bibliotecária a colocam em contato com várias situações que permite desvendar alguns fatos e relações naquele contexto tétrico.

A narrativa

A história é contada em terceira pessoa por um narrador onisciente e crítico. Confesso que esse tipo de narração me incomodou no início, pois parecia-me parcial demais, pouco literário e muito jornalístico. Mas com o avanço da leitura, ou fui me acostumando ou essa característica ficou menos evidente. Enfim, a narração não é um problema nesse livro. 

Minhas impressões e expressões

O livro é altamente envolvente. São relatadas várias histórias cruzadas de amor, bravura, traição e morte. É impressionante como o caráter das pessoas ficam mais evidentes em situações limites. mais impressionante ainda é o resultado que o poder é capaz de realizar. Ou de destruir. No entanto, o que realmente choca é como os judeus foram tratados de maneira injustificada e impiedosa. Creio que os conflitos entre judeus e palestinos que presenciamos atualmente resultem, em parte, do ódio que a memória coletiva dos judeus deve incitar.

Nesse livro há personagens sobre os quais já ouvimos falar, como Joseph Mengele, Eichmann e Anne Frank. Em breve farei resenhas sobre O diário de Anne Frank e Eichmman em Jerusalém, de Hannah Arendt. Devo também informar que esse livro foi baseado em fatos reais, por meio de investigações um jornalista espanhol que teve notícias sobre uma minúscula biblioteca em Auschwitz.

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Viaje na leitura, já que a vida real é insuficiente!

Muito +

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