Resenha: As cidades e as serras (Eça de Queirós)

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Dessa vez, li mais um livro realista. Quero esgotar todos os que tenho sobre esse estilo literário. Vamos ao…

As cidades e as serras, de Eça de Queirós 

O enredo

Paris, final do século XIX. Jacinto, um endinheirado jovem português vive em Paris, mais precisamente na Champs Elysées. Cercado de luxo, ostentação e cortesãs Jacinto cultua a ciência e a cultura clássica. Em contraposição, Zé Fernandes, seu amigo português é um rurícula, criado nos campos de Portugal. Nas visitas de Zé Fernandes a Jacinto são apresentados a este e ao leitor todas as recentes invenções da época, como telégrafo e outras engenhocas menos úteis. A serra parece a Jacinto e a seus amigos parisienses um submundo atrasado e incivil. Até que, movido pelo tédio da civilizatória vida que tem Paris, Jacinto resolve visitar sua propriedade em Tormes, nas serras portuguesas. A partir de então sua percepção sobre o mundo e as coisas muda drasticamente.  

A narrativa

O relato é feito em primeira pessoa por Zé Fernandes. Com isso, podemos perguntar, será que um rurícula, que não se incomoda em sê-lo, é confiável para valorar os adventos da modernidade representada pela vida em Paris?

Minhas impressões e expressões

O livro é todo antitético (cheio de antíteses), tendo como principal contraponto natureza/cultura, representado pelo binômio serra/cidade. Creio que nessa história o autor caiu num maniqueísmo, o que é muito comum em obras realistas/naturalista. A cidade e a serra são representadas por pares opostos, como bem/mal, alegria/tristeza, educação/rudeza etc. O mais chamativo é que esses valores às vezes mudam de lugar, ou seja, o que num momento pode ser uma qualidade da cidade, passa a ser um adjetivo positivo da serra, que deixará de ter o “defeito” do adjetivo oposto, e este será atribuído à cidade. Confuso? Nem tanto…, resumindo: numa escala de valoração, a cidade e a serra trocam de lugar. É como se a história fosse uma grande antítese que incorpora antíteses menores.

Particularmente não sou fã ardorosa do realismo que descreve exaustivamente as coisas e “empresta” características do ambiente aos personagens como se houvesse ocorrido uma contaminação, o famoso determinismo. Acho que a vantagem dessa obra foi ter fugido disso.

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Viaje na leitura, já que a vida real é insuficiente!

Muito +

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