Resenha: A divina comédia: paraíso (Dante Alighieri)

3 Flares 3 Flares ×

Nessa última parte de A divina comédia, chegou o momento de falar de Beatriz, a musa de Dante.

Dante conheceu Beatriz quando ele tinha 18 anos e ela 17. Ninguém consegue explicar muito bem como surgiu esse imenso amor de Dante por ela, mas, pelo fato de ela conduzir o poeta pelo Paraíso significa que ela teve grande importância na vida dele, além de ter influenciado sua poesia lírica.

Beatriz morreu em 1290, deixando Dante em profundo desalento. Há quem diga que por causa da morte dela, ele mergulhou em estudos de filosofia e de religião.

Vocês hão de se lembrar de que quando estive em Florença, mostrei a igrejinha ao lado da casa de Dante:

DSC_0986.jpg

 Uma placa na entrada da igreja informa que Beatriz foi sepultada lá.

DSC_0985.jpg

Bem, vamos ao Paraíso?

O enredo

Vimos na resenha sobre o purgatório que Dante se baseou na cosmologia de Aristóteles e de Ptolomeu para criar seus ambientes. No caso do paraíso são representados corpos celestes ou, conforme Dante, “céus de estrelas”. 

DSC_0102

No empíreo, há a Rosa Mística, glorificação dos beatos. É nessa etapa que Beatriz abandona Dante para ocupar seu lugar na Rosa dos Beatos.

Novamente, trago uma imagem de HQ, que faz uma representação mais didática do paraíso:

DSC_0249

Os nove círculos angélicos são ocupados por anjos. 

DSC_0252

 Seguindo o mesmo esquema dos outros livros, Dante percorre círculo por círculo desse universo celeste, mas dessa vez é orientado por Beatriz, pois Virgílio não tinha “status” para estar ali, já foi condenado ao limbo. 

As figuras/almas mais ilustres que ele encontra nesses céus são: o imperador Justiniano, em Mercúrio; os teólogos São Tomás de Aquino, São Boaventura, São Domingos, no céu do Sol; seu trisavô Cacciaguida, que confirma os presságios sobre o exílio do poeta. Também por aqui são encontradas beatas bíblicas e o primeiro homem, Adão, criatura que ficou em torno de 4 mil anos amargando no limbo até ser resgatado por Cristo e conduzido ao Paraíso. E a Eva, hein? Humpf… dela nem ouvi falar.

No céu de estrelas fixas, a fé de Dante é colocada à prova, à pedido de Beatriz, por São Pedro. Alguns santos questionam Dante: São Tiago sobre a esperança e São João Evangelista sobre amor/caridade. Dante se sai brilhantemente com suas respostas que encheram a todos de entusiasmo.

DSC_0250

No final, Dante tem a visão do mistério da Trindade: três círculos de cores diversas que ocupam o mesmo espaço. 

A narrativa

No paraíso a narrativa muda de rumo. Dante abandona o tom prescritivo e moralista dos dois livros anteriores, em que buscava proximidade com o leitor, usando recursos retóricos para despertar uma comunhão de ideias. Agora, ele se comporta como um aplicado discípulo demonstrando que fez a lição de casa e respondendo a contento a chamada oral dos santos. É claro que, moralista como era, ele não ia se atribuir respostas que não fossem brilhantes. Nada bobo…

Com todo esse lobby, não sei se Dante foi para o céu ou não, mas sei que o túmulo dele está na Basílica de Santa Croce, em Florença. Eu vi e vocês também vão ver, ó:

DSC_1006_thumb.jpg

Minhas impressões e expressões

Esse é sem dúvida uma das grandes obras da literatura universal. Creio que o que há de negativo na obra também é positivo: o distanciamento histórico, que dificulta nossa compreensão do contexto histórico, político, social, religioso, de linguagem e até mesmo literário. Sim, porque ler uma obra dessas em tercetos rimados não é experiência das mais agradáveis. Mas eu disse que isso é positivo também, não foi? Conhecer o passado com visão, linguagem e tudo mais contemporâneos além de ser anacronismo, não nos aproxima tanto da época. Então, é uma distância que aproxima, entendem? Temos que fazer o exercício de nos despir das nossas percepções e concepções contemporâneas para nos aproximarmos da obras. É um belo exercício! Difícil, mas fabuloso.

DSC_0095

Viaje na leitura, já que a vida real é insuficiente!

Muito +

Veja mais resenhas de literatura italiana