Resenha: Iracema (José de Alencar)

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Demorou, mas finalmente li a famosa obra de Alencar. Venham ver:

Iracema, de José de Alencar

O enredo

Iracema, a virgem com lábios de mel e que tem o cabelo mais negro do que a asa da graúna, é filha do pajé da tribo dos tabajaras. Martim, um colonizador português, se perdeu dos companheiros pitiguaras durante uma caçada e ficou 3 dias zanzando, até ser ferido por Iracema com uma flechada no rosto. Ela se desculpou e o levou para sua tribo, onde Martim foi muito bem recebido, mas tentou escapar sem ser visto. Porém foi interpelado por Iracema, que magoada, o questiona sobre a fuga sorrateira. Ele se desculpa, ela o acompanha, e os dois ficam um tempo na floresta. Resumindo a estória: eles se apaixonam perdidamente, mas não podem ficar juntos porque  quem se relacionasse com Iracema morreria, porque, por ser filha do pajé, guardava o segredo da Jurema. Ambos ficam muito tristes, mas o destino preserva muitos acontecimentos futuros para eles, inclusive muitos conflitos.

A narrativa

O relato é feito em terceira pessoa por um narrador onisciente praticamente invisível, distante. Distante também fica o leitor por conta dessa narrativa distanciada.

Minhas impressões e expressões

Não gostei muito de Iracema, menos pelo enredo do que pela narrativa. Acho que Alencar falhou em algo que sabia fazer muito bem: contar uma estória de modo cativante. Creio que ele, ao narrar, quis imitar o modo de falar do indígenas apresentando o mínimo possível, deixando apenas que os personagens falassem por si. Isso faz com que fiquemos distanciados da estória. Seria necessário um narrador que buscasse uma aproximação com o leitor e fizesse uma mediação entre este e o contexto narrado, extremamente distante em todos os sentidos.

No entanto, reconheço a louvável tentativa de Alencar ao tentar recuperar e valorizar nossa origem, nossa identidade, excluindo as influências do contexto europeu.

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Viagem na leitura, já que a vida real é insuficiente!

Muito +

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