Resenha: Memórias de Lázaro (Adonias Filho)

Memórias de Lázaro, de Adonias Filho
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 Inaugurando por aqui um autor brasileiro contemporâneo e pouco conhecido:

Memórias de Lázaro, de Adonias Filho

O enredo

Alexandre conta sua história de quando sai do vale, um lugar que nos passa a impressão de ser úmido, sombrio, como os grotões descritos por Hesíodo na Teogonia. O vale é um espaço totalmente diferente de uma cidade contemporânea, parece nos transportar aos tempos das narrativas bíblicas, quando as pessoas viviam em povoados pouco estruturados. Alexandre conta sua história e as histórias de outros personagens que se entrelaçam com a dele. Suas memórias são pontuadas por desfechos trágicos, o que nos faz pensar em teatro grego clássico.

A narrativa

O relato é em primeira pessoa, e a narrativa o aspecto mais interessante dessa história. O tempo é fragmentado, resultado de uma memória costurada e recomposta de maneira caleidoscópica e mosaica. O tempo da memória é totalmente diferente do tempo cronológico e completamente afetado pelas emoções, como se o alinhavar da história fosse feito com a percepção emocional dos fatos ressignificados. Após a leitura, percebemos que os fatos narrados são apresentados pelo fim, o meio e o início.

Minhas impressões e expressões

A leitura me deixou a sensação de estar lendo tragédias gregas mescladas com histórias bíblicas, representadas tanto pelo espaço (vale, algo totalmente diferente de uma cidade) e pelo título do livro. Os traços trágicos da narrativa se assemelham aos personagens gregos em situação-limite.

Embora a estrutura narrativa não seja linear, conseguimos acompanhar bem o enredo, preenchendo as lacunas, deixadas de propósito, para que o leitor faça seu papel.

Viagem na leitura, já que a vida real é insuficiente!

Muito +

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