Resenha: O cortiço (Aluísio Azevedo)

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Demorou, mas finalmente li…

O cortiço, de Aluísio Azevedo

O enredo

Rio de Janeiro. Segundo Império (1841-1889), período de constituição da sociedade brasileira, formada, sobretudo, por imigrantes portugueses. João Romão, um português que veio tentar “fazer a vida” no Brasil, constrói um cortiço, onde passam a viver os personagens da história. Dentre os moradores do cortiço, boa parte é composta por lavadeiras, brasileiras e portuguesas, por trabalhadores de pedreira e construção civil em geral. Paralelamente à vida no cortiço, João Romão trava disputas por distinção e reconhecimento com seu vizinho, Miranda. Esses vários personagens protagonizam várias histórias, envolvendo brigas, fofocas, invejas, ciúmes etc. 

A narrativa

A história é contada em terceira pessoa por um narrador onisciente com uma narrativa  distanciada, favorável à zombaria que faz de cada um. O narrador é extremamente cruel com os personagens, percebam:

“Era um pobre-diabo caminhando para os setenta anos, antipático, cabelo branco, curto e duro, como escova, barba e bigode do mesmo teor; muito macilento, com uns óculos redondos que lhe aumentavam o tamanho da pupila e davam-lhe à cara uma expressão de abutre, perfeitamente de acordo com o seu nariz adunco e com a sua boca sem lábios: viam-se-lhe ainda todos os dentes, mas, tão gastos, que pareciam limados até ao meio”.

“A filha tinha quinze anos, a pele de um moreno quente, beiços sensuais, bonitos dentes, olhos luxuriosos de macaca. Toda ela estava a pedir homem, mas sustentava ainda sua virgindade e não cedia, nem à mão de Deus Padre, aos rogos de João Romão, que a desejava apanhar a troco de pequenas concessões na medida e no peso das compras que Florinda fazia diariamente à venda”.

As descrições acima são típicas do Realismo/Naturalismo do final do século XIX. Porém, o autor sobrecarrega nos traços físicos e de caráter de seus personagens, beirando à caricatura.

Minhas impressões e expressões

É uma leitura muito divertida, se o interesse for apenas lazer e diversão. Contudo, se fosse para fazer uma análise da obra, não poderia deixar de dizer que é uma obra extremamente preconceituosa. Isso se dá, em parte, por ser uma obra realista/naturalista, o que significa dizer que a condição dos personagens parece ser determinada pelo ambiente em que vive e as descrições são exaustivas. Outro indicador de preconceito é a dos personagens, que são caracterizados de maneira, cruel, fisiológica e, a grande maioria, com caráter duvidoso. São histórias repletas de sordidez, em que é destacado o que há de pior no ser humano. 

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Viaje na leitura, já que a vida real é insuficiente!

Muito +

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