Resenha: O menino da lista de Schindler (Leon Leyson)

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Continuando com meu projeto de leitura sobre nazismo, antissemitismo, holocausto e assemelhados, dessa vez venho tratar de…

O menino da lista de Schindler, de Leon Leyson

O enredo

Numa pequena cidade da Polônia, Leon, um garoto com menos de 10 anos, vive um vida simples com sua mãe e quatro irmãos. À procura de melhores condições para sustentar a família, seu pai trabalha e mora em Cracóvia e visita a família um vez por semestre. Quando as condições financeiras do pai melhoram, ele leva toda a família para Cracóvia. Pouco tempo depois a Polônia é invadida, dando início à Segunda Guerra Mundial. As condições da família de Leon e de todos os judeus que viviam na região foram ficando muito precárias; pioraram ainda mais quando todos os judeus da cidade foram mandados para um gueto, construído em cima de cemitérios de judeus, cercado por muros altos e “decorado” com lápides. A precariedade das condições (alimentação, moradia, higiene, dentre outras) vão se agravando cada vez mais. Os moradores do gueto são mandados para campos de concentração e de extermínio; as famílias se separam, e cada um tem um destino, porém, onde quer que cada um esteja é certo que está passando fome, frio e sofrendo maus tratos, no melhor das hipóteses. Nesse contexto, o que torna imperativo é manter-se vivo e procurar ficar perto dos parentes. Nessas questões imperativas, um alemão nazista, Oskar Schindler, ajuda, de todas as maneiras possíveis, a família de Leon a se manter viva, além de vários outros judeus que ele ajudou a sobreviver.

A narrativa

O texto é narrado em primeira pessoa pelo próprio autor, o que caracteriza uma autobiografia. Contudo, a característica que considero mais importante nessa narrativa é fato de o autor fazer um relato em perspectiva, conduzindo-nos às suas memórias longínquas e transportando-nos, através do tempo, com distanciamento e nostalgia, em alguns casos. Porém no meio desse tempo passado ele adianta um aspecto futuro (futuro em relação ao passado totalmente acabado e passado em relação ao presente, ao tempo da narração. Hum… que confuso!). É mais fácil do que parece, vejam um trecho:

“[…] Pelos símbolos nos capacetes, vi que os soldados não eram franceses nem ingleses. Eram alemães. Era 6 de setembro de 1939. Menos de uma semana depois de cruzar a fronteira da Polônia, os alemães estavam em Cracóvia. ainda que não soubéssemos disso naquele momento, começavam os nossos anos no inferno.”

Esse recurso rompe um pouco com o distanciamento causado pela narrativa. Esse efeito não me incomoda, ao contrário, me deixa mais curiosa e envolvida com o texto. Contudo há outro agravante que leva a narrativa para um tempo longínquo: a escassez de discurso direto. A maior parte das falas é narrada de forma indireta, o que marca fortemente o tempo passado. Tudo isso é ruim? Não. Durante a leitura ficamos até aliviados com certo distanciamento de tantas atrocidades, ódio e irracionalidade.

Minhas impressões e expressões

Considero os relatos sobre o holocausto sempre muito envolventes, especialmente esse, que, por ser narrado em primeira pessoa nos traz certo alívio por saber que apesar de todas precariedades vividas o protagonista da história sobreviveu.  

A descrição da personalidade de Schindler, homem cheio de contradições, revela toda a gratidão e admiração de Leon por seu salvador. É uma parte reconfortante da história, que é repleta de ações que nos fazer desacreditar que o homem é um ser bom por natureza.

O menino da lista de Schindler

 Viaje na leitura, já que a vida real é insuficiente!

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