Resenha: O retrato de Dorian Gray (Oscar Wilde)


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Dessa vez vim falar de uma obra bem famosa, que já havia lido muitos anos, mas resolvi relê-la para fazer resenha para vocês. Trata-se de…

O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde

O enredo

Dorian Gray, um jovem inglês com moral titubeante tem plena consciência de sua extraordinária beleza, aparência repetidamente comprovada por quem o circunda. Sua beleza exerce fascínio em um pintor que resolve fazer seu retrato e no amigo desse pintor, com moral duvidosa e que também torna-se amigo de Dorian. Influenciado por esses dois, Dorian torna-se extremamente vaidoso, a ponto de dizer: 

“Como isso é triste!” murmurou Dorian Gray com seus olhos ainda fixados sobre seu próprio retrato. “Como isso é triste! Eu vou ficar velho, horrível e terrível. Mas este retrato permanecerá sempre jovem. Nunca ficará mais velha do que este dia de junho… Se fosse de outro modo! Se fosse eu quem ficasse sempre jovem e o retrato que ficasse velho! Por isso eu daria tudo! Sim, não há nada no mundo que eu não daria! Eu daria minha alma para isso!”

 Que seja! A partir de então, Dorian tem sua vaidade exacerbada e sua moral totalmente corrompida. Seus excessos não têm limites, e a cada ação perversa de sua parte, sua imagem no retrato tem a expressão alterada, tornando-se o reflexo de sua alma. A corrupção de Dorian “contamina” e desgraça os que se envolve com ele, que permanece sempre jovem, belo e rico, enquanto o retrato fica velho e desfigurado.

A narrativa

O narrador é do tipo onisciente. Também ausente, acrescento. Quase invisível, o narrador mantém distanciamento e deixa os personagens falarem por si sós. E estes falam. Com essa estrutura narrativa, na própria fala dos personagens está bem explícito o caráter de cada um. Não é uma questão apenas de conteúdo do que dizem, mas a forma como dizem o que dizem. O narrador se esconde atrás dessas falas, o que pode ser visto como algo cruel ou imparcial. Não acredito que seja nem uma coisa nem outra. A imparcialidade é impossível, o abandono do narrador em relação aos personagens camufla uma crítica à sociedade vitoriana do final do século XIX. 

Minhas impressões e expressões

Eis um narciso que achava feio o que não era seu reflexo jovem e belo. Nesse livro percebemos a reconstrução de duas histórias já bem conhecidas no mundo literário: Fausto e seu pacto com Mefistófeles e Narciso, aquele que se enamorou de si próprio. A sociedade britânica descrita nessa obra é realmente fútil.

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Viaje na leitura, já que a vida real é insuficiente!

Muito + 

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