Resenha: O sol também se levanta (Ernest Hemingway)

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Pois é, li mais um livro do Hemingway. Dessa vez foi uma obra com um título lindo:

O sol também se levanta

O enredo

Paris, década de 1920. Atraídos pela incandescência da cidade luz, alguns amigos se encontram e desencontram nessa cidade. A maior parte deles tem outra nacionalidade e procura em Paris a vanguarda, a modernidade. E a bebederia. Não é um grupo fechado de amigos, um é amigo de outro, que é apresentado a outro e por aí vai. O que é factual nessa obra é que os encontros são em bares ou festas, ou seja, ambientes “hidratados” por álcool. Outro ponto marcante é que a metade dos personagens masculinos se apaixona pela mesma mulher, também adepta da bebedeira. Entre relacionamentos feitos e desfeitos, amores voláteis e muito álcool esses personagens viajam para Paris, vem da Inglaterra, vão a Biarritz, voltam de San Sebastian, chegam a Madrid e para onde mais o vento e o álcool os levarem.

A narrativa

A história é relatada em primeira pessoa por Jake, o protagonista. Sem tom de censura, nostalgia, culpa ou arrependimento. É relato cru, que não procura justificar ou julgar os personagens, o que reforça o estado de solidão em que cada um se encontra. Quem é esse Jake? O próprio Hemingway? Muito provavelmente. Ambos têm características comuns: serviram na Primeira Guerra Mundial, foram feridos, são correspondentes, em Paris, para um jornal na América, vivem de bar em bar etc.

Minhas impressões e expressões

Já falei muito de Hemingway neste blog. Fiz o percurso dele em Paris, conforme vimos neste post, na série Cafés e intelectuais ele consta em quase todas as referências e também li Paris é uma festa (ver resenha aqui). Por isso, ler O sol também se levanta me deu a impressão de que essa ficção não é tão ficção assim. Explicando melhor: parecer ser um relato de sua temporada em Paris, tal qual Paris é uma festa, com a diferença de que em O sol também se levanta os personagens são fictícios. O protagonista parece ser o próprio Hemingway não apenas pelas características biográficas, mas também pelos pensamentos, muito parecidos com os do Hemingway de Paris é uma festa. Sem falar que são os mesmos ambientes frequentados, os tipos psicológicos dos personagens são parecidos, as bebedeiras… E também a solidão e a busca de não-sei-o-quê. É a famosa geração perdida presente em ambas as obras. 

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Viaje na leitura, já que a vida real é insuficiente!

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