Resenha: O último dia de um condenado (Victor Hugo)

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Venho falar de é um romance com um tom de um documentário, de uma denúncia. Victor Hugo foi um grande defensor da abolição da pena de morte quando ninguém ainda falava nisso. À obra vem anexado o prefácio de 1832, um texto em que o autor defende veementemente essa abolição.

Essa obra foi escrita antes de Os miseráveis e creio que foi de O último dia de um condenado que Victor Hugo extraiu uma passagem que foi o mote da primeira prisão de Jean Valjean de Os miseráveis: no episódio das galés, o condenado conhece um preso cujo o crime foi roubar um pão para matar a fome. Touché! Vamos a…

O último dia de um condenado, de Victor Hugo

O enredo

França, primeira metade do século XIX. A obra apresenta os últimos dias da vida de um condenado à guilhotina. Um condenado que não sabemos quem é e nem que crime cometeu, mas isso não importa. São retratados seus dias desde a sentença até a execução. Nesses relatos são apresentadas os vários estágios emocionais do condenado: o desespero de não poder ver a filha crescer, a vontade de fugir, os pesadelos, a descrença etc. É uma morte em vida, que é pior do que a morte em si. 

A narrativa

 Narrada em primeira pessoa pelo condenado, a estória é contada em curtos capítulos, quase uma forma de diário, o que nos dá a impressão de que o condenado utilizava um caderno para desabafar os tormentosos anseios de seus últimos dias e suas últimas hora. Victor Hugo não poderia ter feito melhor escolha narrativa para causar o efeito pretendido.

Minhas impressões e expressões

Além da escolha narrativa, outra sábia decisão de Victor Hugo foi não identificar nem o condenado nem o crime cometido. Não se trata de algo pessoal, a pena de morte é abordada como uma instituição, um recurso fatal de um Estado implacável . E ponto. Gostei muito da obra. 

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Viaje na leitura, já que a vida real é insuficiente!

Muito +

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