Resenha: O vermelho e o negro (Stendhal)

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Que tal um pouco de literatura francesa? Neste post vou tratar de…

O vermelho e o negro, de Stendhal

O enredo

França, período de restauração (1814-1830). O jovem Julien Sorel – de família pobre, mas com bom nível de instrução, pois se formou com um padre, com quem aprendeu latim e outras coisas – torna-se preceptor dos filhos do prefeito de Verrières, uma pequena cidade da França. Apesar do desempenho prodigioso, Julien é distante e um pouco frio e impenetrável. Esse comportamento se justifica, em parte, por ser um grande admirador de Napoleão Bonaparte, que já havia caído em desgraça. Assim, o período da Restauração Francesa é época totalmente inadequada para idolatrar Napoleão, pois é um período em que a monarquia pretende se reestabelecer. A frieza de Julien, uma couraça que resolveu assumir, cai por terra quando de envolve amorosamente com a mulher do prefeito, a Sra. de Rênal, que se apaixona perdidamente por ele.

O envolvimento dos dois deixa Julien em situação delicada a ponto de o padre, seu amigo, preferir a transferência dele para outra cidade, primeiramente; para um mosteiro; depois, em razão de sua erudição, ele se torna secretário de um aristocrata, marquês de La Mole, em Besançon. Outro contexto complicado para quem é grande admirador de Napoleão. Na mansão de La Mole, Julien entra em contato com a alta cúpula da cidade, pessoas que ele demonstra desprezar. Seu comportamento distante desperta o interesse da mimada filha do marquês de La Mole, Mathilde, uma moça caprichosa que se orgulha de ser descendente de La Mole, o amante da Rainha Margot (falei sobre ela no post sobre o château de Blois, ver aqui). Com Mathilde, Julien também tem um envolvimento amoroso. O desprezo de um e o capricho de outro faz com que vivam um romance de negaceio (quando um quer, o outro não quer; quando um deixa de querer, o outro passa a querer).

Entre idas e vindas, pequenos conflitos e soluções, Julien reencontra a Sra. de Rênal, e o que acontece a partir de então muda o destino dele e conduz o livro a um desfecho marcante.

A narrativa

A história é relatada em terceira pessoa por um narrador onisciente que mantém uma narrativa distanciada a maior parte do tempo, mas que às vezes faz pequenas intromissões,  que nos faz perceber que o narrador sabe muito sobre o desenrolar da história, mesmo antes de os fatos terem sido apresentados em ordem cronológica. A narrativa é fluida, o perfil dos personagens dispensa a presença marcante de um narrador.

Minhas impressões e expressões

Esse é um de meus romances preferidos da vida! Já li o livro duas vezes, uma em português, outra em francês e simplesmente amo. Adoro romances ambientados em períodos históricos bem marcados. Os personagens são marcantes e bem construídos, especialmente Julien Sorel, que é inesquecível. 

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Viaje na leitura, já que a vida real é insuficiente!

Muito +

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