Resenha: Os ratos (Dyonelio Machado)

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 Venho falar de um livro pouco comentado na literatura nacional, mas que merece nossa atenção:

Os ratos, de Dyonelio Machado

O enredo

Naziazeno, é um funcionário público que precisa de dinheiro desesperadamente para saldar a dívida que tem com o leiteiro. Se ele não quitar essa dívida, haverá corte da entrega do leite, o que não pode acontecer porque ele precisa do leite para o filho pequeno, que está doente. Num arco temporal de 24 horas, Naziazeno tenta várias formas de conseguir dinheiro: tenta pedir dinheiro para o chefe da repartição onde trabalha e também tenta com um amigo. Não obtém êxito em nenhuma das tentativas. Essas negativas aumentam sua pressão psicológica. Ele consegue dinheiro emprestado e vai tentar a sorte na roleta. Suas estratégias de jogo são afetadas por sua inexperiência e por seu estado emocional. Resultado dessa empreitada: ganha muito e perde tudo. No final do dia, ele encontra dois amigos e todos procuram um agiota para penhorar um anel. Essa empreitada não é tão simples quanto parece: para penhorar o anel é necessário negociações com outro agiota, o que vai aumentado o estresse. Tentam vender o anel, mas o comerciante, não compra, apenas vende. Mais estresse. Quando finalmente consegue o dinheiro, Naziazeno chega em casa em estado de exaustão física e mais ainda psicológica, situação que afeta seu estado mental. Ele entra num clima de paranoia que o leva ao delírio, à alucinação e não consegue dormir porque acredita que ratos estão devorando o dinheiro do leite.

A narrativa

O relato da história é feito em terceira pessoa por um narrador onisciente, quase invisível. A narrativa é direta, objetiva, quase fotográfica, o que nos faz pensar em takes de filme. Essa forma de narração simula o estresse psicológico em que vive o protagonista da história.

Minhas impressões e expressões

A forma de narrar é muito interessante, pois aproxima o leitor do núcleo duro da trama: o estado emocional do protagonista. Além disso, o autor, comunista assumido, faz crítica ao sistema capitalista que pode enredar uma pessoa  de forma a torná-la refém, sem condições materiais de suprir necessidades básicas e sem condições emocionais de ter saúde mental numa engrenagem que favorece muito alguns e vitimiza outros.

Viagem na leitura, já que a vida real é insuficiente!

Muito +

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