Resenha: Paris é uma festa (Ernest Hemingway)

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Paris é um festa, de Ernest Hemingway (1899-1961), foi escrito durante a estadia do escritor em Paris no início da década de 1920, quando o escritor tinha por volta de 22 anos. Já fiz um post, na série Rota de Artista, relatando a passagem de Hemingway por Paris, confiram aqui.

Em 1956, Hemingway encontrou no porão do Hotel Ritz, em Paris, uma mala deixada que continha seus cadernos com anotações que tinha feito durante os anos em que viveu em Paris. Ele transcreveu os cadernos e terminou os manuscritos, mas essa obra surgiu postumamente, apenas em 1964. Agora, vamos ao livro!

O enredo

O texto se resume às suas descrições sobre alguns lugares de Paris, sobretudo cafés e restaurantes (em outro post, sobre os cafés de Montparnasse, vocês perceberam que Hemingway era um assíduo frequentador desses espaços); também são descritas suas relações e impressões com diversas personalidades, que também estavam em Paris, como Gertrude Stein, Scott Fitzgerald, James Joyce, Ezra Pound etc.

A narrativa

À primeira vista, corremos o risco de acreditar que a narrativa é em forma de diário, mas depois percebemos que, na verdade, o livro é composto por memórias, ou seja, os relatos são sobre fatos passados há algum tempo. 

Minhas impressões e expressões

Para quem já conhece Paris, é uma delícia ler as descrições de Hemingway em suas andanças pela cidade. Podemos conferir o que continua igual e perceber como funcionavam alguns lugares na década de 1920.

Uma característica da obra que acho imperdível é a opinião, as reflexões de Hemingway sobre grandes personalidades que também conhecemos. Isso faz sentir-nos bem mais próximos dele, que se apresenta mais humano aos nossos olhos. Essa característica é ainda mais interessante se lembrarmos que ele ainda não era muito famoso e estava em formação, a caminho de tornar-se o que se tornou.

Uma passagem que considerei muito interessante foi a opinião do escritor sobre Dostoiévski. Amo o escritor russo, mas compartilho um pouco da opinião de Hemingway sobre a escrita de Dostoiévski, ou seja, o desenvolvimento da narrativa não é bom. Creio que a grandeza do escritor russo está nos perfis psicológicos que criou e nos grandes dilemas ético-morais e políticos que aborda em suas obras.

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Meu exemplar é em francês (comprei na livraria Shakespeare & Co, de Paris \o/), mas é um livro facilmente encontrado em português nas livraria e em sebos.

Viaje na leitura, já que a vida real é insuficiente!

Muito +

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