Resenha: Persuasão (Jane Austen)


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Para variar um pouco, trouxe um pouco de literatura inglesa. Dessa vez, venho falar de…

Persuasão, de Jane Austen

O enredo

Anne Elliot, filha de um viúvo e irmã do meio entre três, tem 27 anos e ainda é solteira. Hoje em dia isso é bem frequente, mas não era no início do século XIX. A sua solteirice tem uma explicação: 7 anos antes, Anne foi persuadida (vejam o título do livro), por uma velha amiga da família, a não se casar com o noivo, pois ele não parecia ter um futuro promissor. O enlace é desfeito, e o tempo passa. Anne mora com seu pai e sua irmã mais velha, ambos não dão importância à opinião dela. Sua outra irmã é casada, com filhos e sempre está demandando a presença de Anne para ajudá-la com as crianças. [Naquela época, ficar solteira dava nisso: ficar sobrando pelos cantos, ajudando um e outro]. Até que Wentworth, ex-noivo de Anne, retorna ao cenário com nova posição social: conseguiu juntar se dar bem durante as guerras napoleônicas e agora ele é oficial da marinha. Ele guarda profunda mágoa de Anne e ela descobre que ainda gosta dele. Paro por aqui, mas adianto que a Persuasão do título não diz respeito apenas ao noivado rompido de 7 anos antes.

A narrativa

O texto é narrado em terceira pessoa por um narrador onisciente e pouco intruso. Isso é bom e ruim, no caso desse livro. Explico-me: o grande personagem desse livro são os sentimentos dos personagens que, quando mal resolvidos, geram certa confusão. Se o narrador fosse do tipo intruso (aquele que adianta fatos e emoções), a obra não teria graça nenhuma, ao mesmo tempo essa característica também não é muito boa, pois a narrativa torna-se muito linear, sem ápices, o que pode cansar um pouco.

Gosto dessa edição porque há ilustrações. As figurinhas sempre ajudam na compreensão, vejam:

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Minhas impressões e expressões

É característica de Jane Austen tratar sobretudo de relacionamentos em suas obras. Ela fez literatura elegendo o microcosmo, as picuinhas cotidianas, as relações de famílias e as relações amorosas como temas principais de seus livros. É um que gosta do outro, que gosta do um, mas não tem coragem de falar. É outro que faz intriga de um, que é ingênuo e se deixa levar. São os outros, que disseminam entre si a relação do um e do outro também. Enfim, é assim. 

É curioso que Jane Austen tenha eleito essa temática, pois os escritores mais famosos do século XIX (Victor Hugo, Balzac, Charles Dickens, dentre outros) tratavam de vítimas da condição social resultante das Revoluções Industrial e Francesa. Além de focar em relacionamentos, suas obras abordam a classe média inglesa (burguesia?), deixando de lado a nobreza e os miseráveis, os comumentes contemplados nos romances ambientados no século XIX. Talvez esse seja a grande diferencial de Jane Austen: não considerar que no século XIX havia apenas nobreza em decadência, burguesia em ascensão e desvalidos miseráveis.

Confesso que não sou tão fã desse tipo de literatura, acho que já gostei mais no passado, mas Jane Austen escreve bem.

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Viaje na leitura, já que a vida real é insuficiente!

Muito +

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