Resenha: Teoria do medalhão (Machado de Assis)

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As histórias de Machado de Assis são memoráveis, tanto os romances quanto os contos. Ô, homem danado! Neste post, tratarei de um conto bem famoso:

Teoria do Medalhão

O enredo

Ao completar 21 anos, um filho recebe os conselhos do pai sobre como se comportar dali em diante para se dar bem na vida. O enredo é banal? Todo o enredo de Machado de Assis parece ser assim, contudo como ele conta o que conta é que faz a grande diferença.

A narrativa

A escolha pelo foco narrativo desse conto não poderia ser melhor: o diálogo. Isso porque é um texto de aconselhamento que parte de um figura no papel de tutor ao um jovem aprendiz. Segue o mesmo modelo dos diálogos platônicos. O que muda é o conteúdo dos conselhos, que nada têm de moral ou ético; ao contrário, é um manual sobre como dominar situações e pessoas, ou seja, como ser um pulha.  Vejamos um trecho:

“[…] A publicidade é uma dona loureira e senhoril, que tu deves requestar à força de pequenos mimos, confeitos, almofadinhas, coisas miúdas, que antes exprimem a constância do afeto do que o atrevimento e a ambição. Que D. Quixote solicite os favores dela mediante ações heróicas ou custosas, é um sestro próprio desse ilustre lunático. O verdadeiro medalhão tem outra política. Longe de inventar um Tratado científico da criação dos carneiros, compra um carneiro e dá-o aos amigos sob a forma de um jantar, cuja notícia não pode ser indiferentes aos seus concidadãos. […] Se caíres de um carro, sem outro dano, além do susto, é útil mandá-lo dizer aos quatro ventos, não pelo fato em si, que é insignificante, mas pelo efeito de recordar um nome caro às afeições gerais. Percebeste?“.

Minhas impressões e expressões

Comecei a ler o conto e, imediatamente, lembrei-me d’O Príncipe, de Maquiavel. Assim, não foi surpresa para mim que o conto termine citando essa obra. Esse conto também poderia intitular-se “A preparação de um mau caráter” ou “Manual de um corrupto desonesto”;  a propósito, vejam outro trecho:

“[…] Podes pertencer a qualquer partido, liberal ou conservador, republicano ou ultramontano, com cláusula única de não ligar nenhuma idéia especial a esses vocábulos, e reconhecer-lhe somente a utilidade do scibboleth bíblico.”

Se você se interessou pelo conto, não passe vontade, não. Leia o conto completo aqui.

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Viaje na leitura, já que a vida real é insuficiente!

Muito +

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