Resenha: Vermelho amargo (Bartolomeu Campos de Queirós)

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Eis um pouco de literatura brasileira contemporânea, apresentando um autor novo para mim e para este blog. Refiro-me a… 

Vermelho amargo, de Bartolomeu Campos de Queirós

O enredo

De cunho autobiográfico a obra apresenta as memórias de infância do narrador são apresentadas em formato de excertos com pouca sistemática temporal. Entramos em contato com o cotidiano de sua infância, permeada por perdas e partidas de familiares. São pontuadas relações de afeto e de indiferença referentes à mãe e à madrasta, respectivamente. Como elemento central e metafórico da narrativa temos o tomate, sempre amargo, daí o título do livro. As fatias de tomate, partidas em cruz pela mãe eram “pequenas embarcações ancoradas na baía da travessa”; partidas pela madrasta em fatias finas eram capazes “de envenenar a todos”. A saída e a perda de familiares também é pontuada pelas fatias do tomate, que sempre diminuem, significando um a menos. 

A narrativa

Os excertos apresentam são uma mescla de poesia, filosofia, coloquialismo mineiro e ingenuidade infantil. De tudo isso resulta um texto delicioso e envolvente. Confiram nas citações abaixo:

Cada despedida se anunciava dando mais sustância às fatias do tomate. O que antes era apenas transparência – hóstia maculada de ameaça – agora se fazia corpo e decretava abandono. As mãos matemáticas da mulher registravam com a faca e a força, e sobre a pele do tomate, suas premeditadas vitórias.

Tantos pedaços de nós dormem num canto da memória, que a memória chega a esquecer-se deles.”

“Não dar palavras ao desejo é ocultá-lo na solidão.”

Minhas impressões e expressões

É uma delícia de livro! A singeleza, a poesia, a reflexão e a percepção infantil dos fatos atribuem encanto ao texto, de modo que podemos extrair de cada excerto um pensamento, uma frase bonita (daquelas que vemos publicadas no Instagram) que nos faz considerar alguns aspectos da vida.

Viagem na leitura, já que a vida real é insuficiente!

Muito +

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