Resenha: Vidas secas (Graciliano Ramos)

0 Flares 0 Flares ×

Graciliano Ramos está sempre presente neste blog, conforme podem conferir abaixo:

+ Resenha: Angústia, de Graciliano Ramos

+ Resenha: São Bernardo, de Graciliano Ramos

+ Resenha: Infância, de Graciliano Ramos

Dessa vez, venho tratar de sua obra mais famosa:

Vidas secas, de Graciliano Ramos

O enredo

Nordeste brasileiro, primeira metade do século XX. Uma família de retirantes tem que migrar da fazenda onde trabalha em busca de melhores condições de sobrevivência. O sertanejo Fabiano, sua esposa, Sinhá Vitória, os dois filhos e a cadela Baleia. Fabiano é rude, com baixa instrução, tem dificuldade em se expressar, mas percebe quando a situação está desfavorável, mesmo não tendo condições de organizar o que pensa e verbalizar o que sente. Sinhá Vitória é um pouco mais esperta e ajuda com alguns cálculos para evitar que o marido seja passado para trás. Fabiano se envolve em confusão com um soldado, fica irritadíssimo, mas não consegue se expressar e suporta calado a humilhação e xinga a mãe do soldado. Consequentemente é preso, pensa na família sua raiva aumenta e começa a gritar. Depois de solto, Fabiano passa tempos remoendo a situação e querendo se vingar do soldado. Paralelamente, Sinhá Vitória se ocupa de pequenas coisas e sonha sempre em ter uma cama com fita de couro. A cachorra Baleia fica doente, e Fabiano decide sacrificá-la. Durante o processo de morte, Baleia tem visão de um “paraíso de cachorros” repleto de preás. 

A narrativa

O relato é feito em terceira pessoa por um narrador onisciente que, por meio de sua forma de narrar parece tornar a realidade da família de Fabiano ainda mais seca. Mas isso não é um maltrato do autor, é apenas uma forma de realismo. O tempo da narrativa é suspenso e cíclico, o que pressupõe que de tempos em tempos os retirantes deixam seu lugar e vão em busca de outro, recomeçando um novo ciclo.

Minhas impressões e expressões

O título Vidas secas tem duplo sentido: seco por conta do clima; seco por causa da dureza dos personagens. É como se a falta de recursos naturais, principalmente da água, endurecesse os personagens. É difícil ser diferente disso, pois quando falta o básico, é difícil ficar “macio”.

Fabiano é um desvalido consciente, situação que o deixa inconformado, mas sem perspectivas. Aliás, a situação toda é de falta de perspectiva para todos, restando apenas sonhos para uns e indignação para outros.

Viagem na leitura, já que a vida real é insuficiente!

Muito +

Veja outros posts sobre Graciliano Ramos

Veja outras resenhas de literatura brasileira

Be the first to comment

Expresse suas impressões!