Rota de Artista: Hemingway em Paris

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Este post da série Rota de Artista tratará do período em que Ernest Hemingway (1899-1961) passou em Paris, no início dos anos 1920.

Talvez muitos não liguem o nome do escritor às obras que ele escreveu, mas tenho certeza de que os títulos dos livros são familiares à maioria. Creio que Hemingway é um dos autores que usou títulos mais bonitos em suas obras, ao mesmo tempo em que tratava de questões políticas e capturava muito bem a atmosfera de sua época. Vejam que títulos bonitos: Por quem os sinos dobram?, O sol também se levanta, Adeus às armas, O velho e o mar, Paris é uma festa.

Bem, vamos à rota do Hemingway. O escritor chegou em Paris no final de 1921 e se hospedou na  44, rue Jacob.

No começo de sua estadia na cidade luz, Hemingway fazia suas refeições  no Café Restaurante…

Le Pré aux Clercs

Paris, França

30, rue Bonaparte

No final de 1921, Ezra Pound alugou um apartamento em 70, bis Rue Notre-Dame-des-Champs (sudeste dos Jardins de Luxemburgo). Hemingway visitava Ezra frequentemente.

No Natal do mesmo ano, 1921, o escritor cruzou o rio Sena para ir almoçar no…

Café de la Paix

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Esse café era super famoso, conforme já vimos num dos posts da série Cafés e Intelectuais. Além de bem frequentado, fica ao lado da Ópera Garnier, lindíssima.

Voltando à trajetória de Hemingway, sua primeira moradia na capital francesa foi na rua Cardinal Lemoine, em Saint-Germain-des-Prés.

Paris, França

74, rue Cardinal Lemoine

 Eis a prova de que não estou mentindo:

Paris, França

“De janeiro de 1922 a agosto de 1923 viveu, no terceiro andar deste prédio, com Hadlay, sua esposa, o escritor americano Ernest Hemingway (1899-1961). O bairro, que ele amava acima de tudo, foi o verdadeiro local de nascimento de sua obra e de seu estilo disperso que a caracteriza. Este americano, em Paris, estabeleceu relações familiares com seus vizinhos.

‘… Esta era a Paris de nossa juventude, ocasião em que éramos muito pobres e muito felizes.’ Ernest Hemingway (Paris é uma festa)”

Um dos cafés que Hemingway frequentava era o Café des Amateurs, nas imediações da esquina da Rue Mouffetard. Confesso que fui até o local, procurei por esse café, mas não encontrei nada, por isso, não há foto.

Outro lugar que o escritor Hemingway, que não era bobo nem nada,  frequentava eram os…

Jardins de Luxemburgo 

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Hemingway passeava por aqui com seu filho e às vezes encontrava Gertrude Stein, que costumava também passear por aqui com seu cachorro.

No livro Paris é uma festa, Hemingway diz que sempre ia ao…

Museu de Luxemburgo

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Esse museu fica dentro dos Jardins de Luxemburgo.  e foi o primeiro museu a ser aberto ao público, em 1750. Hemingway dizia que vinha a esse museu para conhecer melhor os impressionistas. Naquela época o museu era dedicado à arte contemporânea, mas atualmente, ele não tem acervo, só funciona com exposições temporárias.

Durante a década de 1920, Hemingway era um ávido espectador dos torneios de ciclismo no Velódromo de Inverno (Vélodrome d’Hiver, 8 Boulevard de Grelelle, Ponte Bir Hakeim). Hemingway arrastou vários amigos, incluindo John dos Passos, para visitar esse velódromo, que foi inaugurado em 1910 e foi demolido em 1959.

Outros lugares que o escritor sempre frequentava, conforme já vimos nos posts sobre os cafés parisienses, eram os cafés.  Ele era habitué dos cafés do Boulevard Montparnasse, conforme vimos neste post.

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Le Dome (108, Boulevard Montparnasse), La Coupole  (102, Boulevard Montparnasse), La Rotonde (105, Boulevard Montparnasse), Le Select (99, Boulevard Montparnasse).

Outro café que Hemingway frequentava era o Café Falstaff  (14 Rue Delambre). Também não achei esse café (de fato, nem o procurei), por isso não há fotos. Mas sei que foi neste local que ele encontrou pela primeira vez F. Scott Fitzgerald. 

No entanto, o café favorito de Hemingway era…

La Closerie des Lilas

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  171, Boulevard du Montparnasse

Parte da história de O sol também se levanta se passa nesse Café. Também foi aqui que o escritor escreveu boa parte dessa obra. Aqui, a pedido de Fitzgerald, Hemingway também lia os manuscritos de O Grande Gatsby.

Na região de Saint-Germain-des-Prés também havia points que interessavam Hemingway. A começar pelo…

Café les Deux Magots

Paris, França

6, Place St-Germain-des-Prés

E também o…

Café de Flore

Paris, França

172, Boulevard Saint-Germain-des-Prés

No verão de 1926, Hemingway mudou-se da Cardinal Lemoine para a rua Férou, próximo aos Jardins de Luxemburgo. Foi aqui onde ele escreveu Adeus às armas.

Em agosto do mesmo ano, 1926, Hemingway se isolou num apartamento no quinto andar do 69, rue Froidevaux, próximo ao cemitério de Montparnasse. Ele corrigia as provas de O sol também se levanta aqui.  

Paris, França

6, rue Férou

No inverno de 1929, Sylvia Beach, a proprietária da famosa Livraria Shakespeare & Company, conforme vimos neste post, apresentou Hemingway ao escritor e poeta Allan Tate, quando Tate estava no Hotel Michelet-Odéon (6 Place de l’Odéon). Ernest e Allan caminharam da… 

Livraria Shakespeare and Company

Paris, França

30, rue Buchérie

… para o Café Voltaire na Place de l’Odéon. Mas também não tenho foto desse café. Acho até que nem cruzei com ele.

Hemingway era um assíduo frequentador da Shakespeare & Company, às vezes ia até lá para emprestar livros (e dinheiro também) e participar de discussões literárias. Foi nesta livraria que ele emprestou inúmeros livros de literatura russa (Dostoiévski, Turgueniev, Tostói…), citados em Paris é uma festa.

Numa de suas andanças pela cidade luz, no inverno de 1956, Hemingway parou no Hotel Ritz (15, Place Vendôme) para um drink  e o carregador de bagagem pediu a ele para retirar seus manuscritos, que estavam estocados na sala de bagagem desde 1927. Nesses manuscritos, Hemingway  encontrou as notas usadas para escrever Paris é uma festa. Conforme anunciei em outro post, comprei este livro na Livraria Shakespeare & Company, estou lendo-os aos poucos e em breve farei uma resenha sobre ele. Nas páginas prefaciais da edição francesa essa passagem do Hotel Ritz está bem detalhada. Muito bom!

Para finalizar, senhoras e senhores, uma imagem de Ernest Hemingway:

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Essa imagem é do Museu Grévin, onde o acervo é composto por celebridades bonecos de cera. Lembram-se que já vimos muita gente famosa feita de cera? Não? Revejam-nas  aqui.

Muito + 

Veja toda a série Rota de Artista

Veja mais posts sobre textos de Hemingway

Veja a série Parada em Paris

Veja o álbum fotográfico de Paris