Rota de artista: Ramos de Azevedo – #1

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O que seria da arquitetura de São Paulo sem Ramos de Azevedo? Por que pergunto isso? Vocês verão nas próximas imagens que esse ilustre senhor e os demais que trabalhavam em seu escritório foram os responsáveis pela construção da maioria de edifícios de destaque da São Paulo do início do século XX. Saliento que ele não trabalhava sozinho, mesmo depois de sua morte o escritório continuou, então, o que vamos ver não é tudo projetado ou construído por ele, mas pelo escritório do qual ele foi sócio.

Há tanta coisa para ver e falar que dividirei essa Rota de Artista em quatro partes, nesta primeira, faremos um city tour virtual narrativo pelo centro histórico de São Paulo parando nas obras projetadas ou construídas pelo escritório de Ramos de Azevedo; na segunda parte, continuaremos com outras obras menos conhecidas também pelo centro histórico; na terceira parte, nos ateremos à região da Luz; na quarta parte, trataremos das obras na região da Avenida Paulista. Em algum desses posts contarei a história dele, provavelmente no último. Sei que a história de Ramos de Azevedo ficaria melhor nesta primeira parte, mas aqui há muita imagem para ver, o post ficará muito longo. Aguardem e confiem, há uma razão em mim que me justifica. 

Comecemos com a Praça dele…

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Essa Praça leva o nome do arquiteto não por acaso. De um lado dela, temos o… 

Prédio da Light (1929)

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Praça Ramos de Azevedo

Aqui temos uma arquitetura eclética de inspiração norte-americana, tipo de construção não é muito comum no Brasil. Apesar de ser eclética, percebemos uma predominância neoclássica.

O Edifício Mackenzie, nome oficial, ficou conhecido como Prédio da Light. Isso tem uma explicação. No final do século XIX, época em que São Paulo estava em expansão ferroviária a empresa The São Paulo Tramway Light and Power instalou-se na cidade. Com o passar do tempo, o crescimento dos negócios trouxe a necessidade de um espaço amplo, que comportasse todos os setores e funcionários da empresa. Daí eles adquiriram o Teatro São José que, foi demolido para dar lugar a essa nova construção. 

Imagem deste link

Daí a razão pela qual atualmente o nome do shopping que funciona no local ser Light.

Voltando ao nosso percurso, na outra esquina temos o…

Teatro Municipal (1903-1911)

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Praça Ramos de Azevedo

Acredito que essa é uma das principais obras o arquiteto.

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Inspirado em construções parisienses, como a Opera Garnier, o Teatro Municipal é um desbunde. Mas não é apenas o estilo neoclássico que encontramos aqui. A construção é toda eclética do ponto de vista arquitetônico: pinturas em ouro, 

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Por fora até que ele não tem nada demais, mas por dentro ele é lindão. Vejam: pinturas em outros, escadarias majestosas etc.

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Já falei dele neste post.

Saindo do Teatro e seguindo reto pela Conselheiro Crispiniano, chegamos à Praça da República. O que tem lá?

Escola Normal Caetano de Campos (1892-1894) 

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Praça da República

Atualmente, nesse edifício funciona a Secretaria Estadual da Educação, mas essa construção já foi a Escola Normal Caetano de Campos. Alguns dos alunos famosos dessa escola foram:  Sérgio Buarque de Holanda, Francisco Matarazzo, Mário de Andrade, Cecília Meireles, Oscar Americano, dentre outros.

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Hoje em dia, a escola Caetano de Campos funciona na Praça Roosevelt, no prédio antes pertencente ao Colégio Visconde de Porto Seguro. Vejam mais imagens.

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Seguindo pela Praça, descendo a Av. Ipiranga sentido Av. São João, chegamos ao Largo do Paissandu, onde logo vemos o…

Edifício-sede da Companhia Paulista de Seguros 

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Largo do Paissandu, n. 62 e 72

Essa construção é bem diferente das demais deste post. Lembra muito o tipo de arquitetura valorizada pelos fascistas: monumental, geométrica e prática. Todo o mármore italiano utilizado na construção reforça ainda mais a ideia.

O nome oficial do edifício é José Paulino Nogueira foi projetado inicialmente para moradia dos funcionários da Cia Paulista de Seguros e também para locação a outras pessoas. Aos poucos, houve uma mudança no uso e o edifício se transformou num misto de locações para fins não residenciais, consultórios, escritórios e afins.

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Bem pertinho daqui, seguindo sentido início da Av. São João, encontramos:

Hotel Central e Hotel Britânia (1915-1918)

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Av. São João n. 284

Esses hotéis formam uma construção conjugada (Hotel Central, n. 284; Hotel Britânia, n.300), sendo que o Central hoje foi invadido por pessoas desses movimentos por moradia. A decadência atual e a sucessão e arremedos na estrutura até nos atrapalha a apreciar o estilo arquitetônico. 

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Av. São João n.300

Construído em estilo barroco francês, o Hotel Britânia funcionou até 2005, época em que seus principais hóspedes eram idosos e famílias de baixa renda. Em 2006, com permissão do Condephaat, o interior do imóvel foi modificado, e as suítes foram transformadas em apartamentos. Ainda assim, os moradores do imóvel continuam a ser pessoas de baixa renda.

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Quase imediatamente ao lado do Hotel Britânia achamos:

 Correios e Telégrafos (1920-1922)

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Praça do Correio, Vale do Anhangabaú

Em estilo eclético, com influência neorrenascentista, o Palácio dos Correios foi construído pelas mesmas razões do prédio da Light: desenvolvimento acelerado da cidade, que fazia aumentar o fluxo de serviços.

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Depois de algumas idas e vindas, hoje o edifício ainda abriga a empresa Correios, mas o que mais me interessa e agrada aqui é o centro cultural mantido no edifício.

Agora, saindo do Vale do Anhangabaú e indo para o Páteo do Colégio, vemos duas construções lindas, que até poderiam ser gêmeas, mas não são: 

Secretaria da Agricultura (1892-1896)

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Páteo do Colégio, n. 148

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Essas duas construções são um primor! Em estilo neoclássico, podemos nos refestelar com estruturas gregas e romanas, apresentando colunas maravilhosas.  Atualmente aqui funciona, nos dois edifícios, a Secretaria da Justiça. Na parte interna de ambos os prédios há clarabóias lindas, sustentadas por armações de ferro

Tesouraria da Fazenda (1886-1891)

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 Páteo do Colégio, n. 184

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Não posso deixar de dizer que onde hoje  funciona o Páteo do Colégio era o…

Palácio do Governo (1896)

Palácio Governo

Páteo do Colégio (imagem deste link)

Acreditem em mim, esse Palácio do Governo foi destruído para, no lugar, ser construído o Páteo do Colégio em homenagem ao IV Centenário da cidade de São Paulo. Sim, o Páteo do Colégio que conhecemos hoje não é o original. Só há uma parte da parede original perto do restaurante no Páteo. Prova de que não estou mentindo: reparem na construção na parte direita da imagem, é a antiga Secretaria da Cultura que vimos numa das imagens acima.

Imediatamente em frente ao ex-Palácio do Governo, temos o…

Antigo Edifício da Bolsa de Mercadorias (1930)

Esse prédio é realmente muito bonito e diferente, pois mescla elementos da arquitetura maia, mas também percebemos arquitetura neoclássica, como o pórtico grego. 

Ele foi inaugurado como sede Bolsa de Valores, depois passou a abrigar a Secretaria de Agricultura, após isso, o Primeiro Tribunal de Alçada Cível, que atualmente foi incorporado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.

Saindo do Páteo e indo para o Largo São Francisco, encontramos a…

Faculdade de Direito (1933)

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 Largo São Francisco

A Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo) foi instalada inicialmente no Convento de São Francisco, em 1827, sendo o primeiro curso jurídico do Brasil. O antigo prédio foi demolido na década de 30, e em 1934 o atual edifício foi inaugurado. Rui Barbosa, Castro Alves e Álvares de Azevedo foram algumas das personalidades que estudaram na São Francisco.

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Percebam que o estilo arquitetônico dessa construção é mesclado. Além do neoclássico, podemos verificar um estilo barroco, neocolonial (reparem na parte do relógio). Lindo, não?

Agora seguimos em sentido Praça da Sé, onde encontramos o…

 Palácio da Justiça (1920-1933) 

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Praça Clóvis Bevilacqua, s/n

Gostei de saber que no lugar desse tribunal, havia o quartel da cavalaria no final do século XIX. Nunca havia imaginado em algo assim.

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Essa arquitetura é eclética. Percebemos elementos neoclássicos e renascentistas. Fiquei sabendo que por dentro, o edifício também é um espetáculo: madeira de lei, teto ornamentado, claraboia etc.

Ainda parte do tribunal, mas localizado em endereço próximo, temos o…

Museu do Tribunal de Justiça

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Rua Conde de Sarzedas, n. 100

Essa arquitetura em estilo árabe é linda! Não sei se é verdade, mas fiquei sabendo que descobriram que essa construção também foi projetada pelo escritório de Ramos de Azevedo. Isso não me parece impossível, já que eles projetaram o Tribunal de Justiça também.

Bem, paro por aqui. É muita coisa para um post só, mas creio que já deu para perceber porque tive que dividir o conteúdo em quatro partes. Aguardem as próximas.

+ Dicas

Grandes Brasileiros sobre Ramos de Azevedo, programa da Rádio Estadão que foi ao ar nos dias 24 e 25 de janeiro de 2015. 

Muito +

Veja toda a série Rota de Artista

Veja a série Conhecer São Paulo

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