Rota histórica: o martírio de Tiradentes

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Cansamos de estudar na escola que a Inconfidência Mineira foi um movimento separatista do século XVIII, certo? Neste post, vamos procurar entender alguns pontos desse episódio e traçar a rota histórica do martírio de Tiradentes em imagens.

Em minhas andanças pelo mundo, um museu que gostei muito de conhecer para aprender mais sobre nossa história foi o…

Museu da Inconfidência

Nesse museu conseguimos entender um pouco melhor o que foi a Inconfidência Mineira.

Ouro Preto, Minas Gerais, 1789. Fartos dos altos impostos cobrados pela coroa portuguesa, um grupo cidadãos de destaque da cidade, dentre eles padres, intelectuais e militares, planejavam novos rumos para a cidade: um governo republicano independente de Portugal; criação de indústrias; uma universidade; transformação de São João Del Rey na capital do novo país. Só isso.

Dentre os principais inconfidentes estavam os poetas os poetas Cláudio Manuel da Costa, Inácio José de Alvarenga Peixoto e Tomás Antônio Gonzaga. Porém, dentre os inconfidentes havia um inconfidente mesmo porque não deveriam ter confiado nele. Estou me referindo a Joaquim Silvério dos Reis, o delator. Ele era um militar falido e, diante da possibilidade de ter suas dívidas perdoadas pela coroa, entregou os companheiros da Inconfidência.

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Como boa parte dos envolvidos no movimento era cidadãos de destaque, fidalgos, a corda arrebentou para o lado mais fraco. Em razão disso Joaquim José da Silva Xavier, Tiradentes (1746-1792), um oficial de baixa patente que também era dentista, pagou por todos os envolvidos. 

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A coroa portuguesa, tendo como figura máxima, Dona Maria I, mãe de Dom João VI, mandou prender os inconfidentes, que foram julgados três anos depois.

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Alguns foram condenados à morte, mas pouco depois, houve clemência de Dona Maria I, por meio de carta, e todas as sentenças foram alteradas para degredo, menos Tiradentes, que foi condenado à morte. A coroa portuguesa achou que deveria punir exemplarmente ao menos um dos envolvidos. Sobrou para Tiradentes, que nem era mentor do movimento, mas era de baixa estirpe. 

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A condescendência em relação a Tiradentes  foi apenas enforcá-lo, não sacrificá-lo com morte cruel. Grande vantagem.

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Esta é a Praça, que leva seu nome, próxima ao local onde Tiradentes foi executado no Rio de Janeiro. Sim, Tiradentes foi executado no Rio de Janeiro, mais precisamente na esquina da rua Senhor dos Passos com a avenida Passos, não em Ouro Preto, como muitos acreditam. A Praça tem seu nome desde 1890 por conta das comemorações do centenário de sua morte.

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Voltando ao sacrifício, após sua morte, Tiradentes foi esquartejado e exposto em praça pública.  

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Essa era uma prática muito comum para servir de exemplo aos que ousassem desafiar as regras. O mesmo aconteceu com Zumbi dos Palmares, como vimos no post dedicado ao dia da consciência negra e contei a história dele.

+ Origem do dia da Consciência Negra

Alguns dos inconfidentes degredados foram mandados para África, como foi o caso de Tomás Antônio Gonzaga, aquele de Marília de Dirceu.

No Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro constam as cinzas de alguns deles que foram trazidas da África. Vejam as urnas abaixo.

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Nesse mesmo museu também vemos as madeiras que formavam a cruz em que Tiradentes foi enforcado. Pelo menos é o que dizem.

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A história de Tiradentes ficou razoavelmente esquecida até a República, pois não podemos nos esquecer que nossos imperadores, Dom Pedro I e Dom Pedro II, eram neto e bisneto, respectivamente, de Dona Maria I. Porém com a proclamação da República, houve anseios de libertação, na prática, de Portugal, êxito que não foi alcançado com a independência, já que o chefe do país continuou a ser um português com regime imperialista.

Assim, durante a República o status de Tiradentes mudou. Ele se tornou o mártir, a figura que representava a identidade republicana do país. Voltem à imagem do quadro de Pedro Américo e percebam como as partes do corpo de Tiradentes formam os contornos do mapa do Brasil.

Até então não se tinha ideia de como era a figura dele, porque não havia imagens de Tiradentes. Contudo, com interesse de transformá-lo em mártir, os republicanos quiseram mistificá-lo e criaram sua imagem parecida com a imagem de Jesus Cristo.

De lá para cá, só homenagens. Em frente à Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro temos a estátua do mártir. 

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No Memorial da América Latina, em São Paulo, há um grande painel pintado por Portinari contando sua  morte. Já falei disso por aqui em post específico.

+ São Paulo que vale a pena: Memorial da América Latina

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Percebam que esse painel parece uma crônica. Vejam em detalhes.

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Desde 1965, como mais uma homenagem a Tiradentes, dia 21 de abril, data de sua morte, foi transformado em feriado nacional. 

E assim se resume a história de Tiradentes, que teve mais mérito como morto do que como vivo. E assim nos damos conta que temos episódios históricos frustrados desde muito tempo. Se servir para enlevar o orgulho nacional, lembro aqui que nossa Inconfidência aconteceu (ou não aconteceu, já que foi desbaratada) antes da Revolução Francesa, ambos os movimentos foram inspirados na independência das colônias britânicas na América do Norte.

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