Sistemáticas: Cracóvia, antissemitismo e O menino da lista de Schindler

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Falar sobre antissemitismo nunca é fácil porque, ao menos para mim, vem junto um lastro de vergonha. No entanto, farei um esforço e acionarei imagens já divulgadas neste blog. Começo com a Cracóvia dos judeus.

Embora esteja bem diferente da Cracóvia da década de 1940, a cidade ainda mantém algumas marcas de um passado antissemita.

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Sabemos que a Segunda Guerra mundial teve início quando Hitler invadiu a Polônia, em setembro de 1939. Esse país não foi escolhido por acaso, havia muitos judeus por aqui.

Atualmente ainda há o bairro judeu e podemos visitar a região onde era o gueto. Destaco um lugar especial:

Apteka Pod Orlem

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Apteka Pod Orlem era uma farmácia, uma botica, hoje é um espaço de memória. Por que uma farmácia é um local tão marcante para a questão judaica nesse período? Explico. O farmacêutico Tadeusz Pankiewicz era o único polonês não judeu que vivia na região. Ele não aceitou a oferta dos nazistas para se transferir para a parte “ariana” da cidade. Os nazistas aceitaram essa negativa do farmacêutico por medo de uma possível contaminação por tifo. A ideia era que o farmacêutico ajudasse a conter a doença. Essa concessão foi aproveitada pelo farmacêutico para proteger os judeus do local. Em seu estabelecimento também ocorriam atividades clandestina de resistência.

Em frente à antiga farmácia, temos a…

Praça dos Herois do Gueto

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Essa praça se chamava Plac Zgody (Praça da Concórdia), durante a Segunda Guerra Mundial, os judeus rumavam para esse local com seus pertences (móveis, roupas, objetos pessoais etc.) a espera de uma designação dos nazistas. Todos acabavam por ser deportados para Belzec, onde a grande maioria foi exterminada. Outra “função” dessa praça: lugar de execução.

Passemos a outro espaço superinteressante a este post:

Fábrica de Schindler

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Já fiz post sobre essa fábrica, onde hoje funciona um excelente centro cultural. Se tiver interesse, confira o post e veja muitas outras imagens, inclusive a lista de Schindler.

+ Cracóvia: os judeus e fábrica de Schindler

Quem conhece a história do envolvimento de Oskar Schindler com os judeus durante a Segunda Guerra Mundial, seja por meio do filme e de livros, sabe que ele foi uma figura “balsâmica” naquele contexto árido e mortal. Foi por intermédio da pretensa necessidade de mão de obra para a fábrica indicada na placa da imagem acima que ele conseguiu salvar muitos judeus da morte.

Vejamos como essa questão aparece no livro de Leon Leyson.

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Em O menino da lista de Schindler, Leon Leyson, um judeu, narra seu passado na Cracóvia durante o nazismo e sua relação com Schindler. Já fiz um post sobre esse livro, confiram!

+ Resenha: O menino da lista de Schindler (Leon Leyson)

No livro, a descrição da personalidade de Schindler, homem cheio de contradições, revela toda a gratidão e admiração de Leon por seu salvador. Porém, tanto no filme A lista de Schindler quanto no livro O menino da lista de Schindler o personagem principal aparece como um homem bondoso, que ajudou muita gente. Contudo, a história real não é bem assim. Ele realmente ajudou muita gente, mas era uma figura controversa. Ele enriqueceu usufruindo da expropriação de bens dos judeus e era amigo dos nazistas. Talvez ele quisesse se aproveitar da “oportunidade” de melhorar financeiramente, mas não quisesse a morte e o sofrimento de ninguém. Especulações minhas.

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