São Paulo que vale a pena, n.3: Avenida Paulista

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Há uma piada infame que diz: “a Avenida Paulista é como o casamento: começa no Paraíso e termina na Consolação”. Sendo assim, comecemos nosso city tour virtual narrativo a partir do Paraíso.

Logo no início, à direita, indo em sentido Consolação, na praça Osvaldo Cruz uma pintura nos chama a atenção:

Mural Oscar Niemeyer

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Em razão do falecimento recente de Oscar Niemeyer, Eduardo Kobra pintou um mural gigante (52m de altura e 16m de largura) em homenagem ao arquiteto.

Continuando o city tour, a poucos metros de distância do mural, mas do outro lado da avenida, temos a…

Casa das Rosas

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Construído no início do século XX, aos moldes dos casarões franceses, o imóvel que hoje conhecemos como Casa das Rosas também foi um projeto de Ramos de Azevedo. Até meados da década de 1980, a casa era habitada, mas logo depois foi desapropriada pelo governo do Estado. Em 1991 foi batizada como “Casa das Rosas” por ter um dos jardins de rosas mais bonitos da cidade. E eu comprovo isso com as imagens abaixo.

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Desde 2004, a Casa se tornou “Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura”, onde estão objetos pessoais e a coleção de livros do poeta Haroldo de Campos. Aqui também acontecem eventos culturais, diversos cursos e exposições periódicas, relacionadas à literatura.

+ Conhecer São Paulo: Casa das Rosas

Tenho uma relação pessoal com o lugar, além de ser um dos últimos casarões da Av. Paulista, é um espaço que eu adoro e me traz boas recordações. Desde a inauguração Espaço Haroldo de Campos eu já frequentei diversos cursos interessantes aqui: Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Walt Whitman, dentre outros. Também fiz um curso de semiótica muito bom e um outro sobre os mitos da literatura. Ah,… também participei de dois grupos de estudos, um sobre Machado de Assis e outro sobre poetas líricos modernos. Tudo muito bom!

Seguindo adiante, na mesma calçada e a alguns metros, temos o…

Itaú Cultural

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Já tive ótimos programas aqui. Palestras com o antropólogo Roberto DaMatta, com o sociólogo Michel Mafesolli, dentre outros. Também já vi ótimas exposições. A mais marcante foi uma sobre moda: riquíssima e super bem organizada. A arquitetura contemporânea, com mescla de metal e vidros, forma um contraste com o estilo clássico da arquitetura da Casa das Rosas, que vimos logo atrás. Gosto muito dessa mistura entre contemporâneo e clássico, ambos bem cuidados e com sua respectiva plateia.

Continuando com o tour, seguimos reto por mais três quarteirões e paramos na esquina com a Rua Joaquim Eugênio de Lima para um lamento. Aqui, nesse mesmo lado da avenida, vemos a lacuna do Gemini. Antes de eu decidir se a decoração do cinema era tétrica, kitsch ou cafona, fecharam as portas dele em 2010, depois de 35 anos de funcionamento. É uma pena… era um cinema tradicional da cidade, com muitas histórias para contar.

Tentando não desanimar, atravessamos a avenida e paramos novamente em frente  ao Top Center. Eu até comentaria esse espaço se nele ainda existisse o Top Cine, cinema onde vi a maioria dos filmes do Rohmer. Mas como agora o lugar é apenas um mini shopping center, passo direito, pois centro chiquezinho de vendas não é ponto turístico e nem point interessante. No entanto, fico ao lado, no…

Reserva Cultural

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Esse é um espaço francês na Paulista. Inaugurado em 2006 no prédio da Gazeta, o Reserva Cultural ocupa o espaço que antes era do cine Gazetinha (vocês se lembram que antes havia o Gazeta, o Gazetinha e o Gazetão?). Ao menos dessa vez trocaram um cinema por outro cinema. Mas não é só de cinema que é feito o espaço. No Reserva Cultural também há uma mini livraria, um café e um bistrô. Também há alguns eventos aqui, como palestras, encontros com cineasta, dentre outros.

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Desde as comemorações do ano da França no Brasil, em 2009, uma manhã de domingo por mês há um cinéclub em que é projetado um filme francês, mas o ingresso, que custa muito barato (+ ou – R$ 6,00), dá direito a um café da manhã antes do filme. Compõe o café: suco, café com leite, croissant ou outro pão típico.

Seguindo com o tour, caminhamos por mais dois quarteirões e meio e atravessamos a rua para entrar no…

Centro Cultural Fiesp

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Com arquitetura moderna, o Centro Cultural Fiesp é composto pela Galeria de Arte do Sesi, o Teatro do Sesi e o espaço mezanino. No local desse espaço mezanino funcionava a Biblioteca do Centro Cultural. Não gostei dessa troca, não. Já havia espaço para exposições na Galeria, não precisavam ter tirado a Biblioteca dali. Mas, como o mundo não foi feito para me agradar, continuemos.

Dentre os eventos,  acontecem no CCF : espetáculos teatrais, de dança, shows, exibições de filmes e exposições. Lembro-me que há alguns anos vi aqui uma montagem muito boa da peça As três irmãs, de Ibsen. Há menos tempo, 3 exposições me marcaram muito: parte do acervo de Brennand, de Redife, com muitas peças e armas medievais; coleção de Frans Post, obras do holandês que retratavam o Brasil do século XVII;  exposição de Nelson Leirner, artista plástico brasileiro e contemporâneo. Todas muito boas!

Andando por mais um quarteirão, do mesmo lado da avenida, encontramos um oásis:

Parque Trianon

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O nome oficial é Parque Tenente Siqueira Campos, mas todos nós o conhecemos como Parque Trianon. Ele foi inaugurado em 1892, quando a Avenida Paulista foi aberta. Tem vegetação tropical exuberante, remanescente da Mata Atlântica. Quando inaugurado era frequentado pela elite paulistana, os barões do café e seus círculos de amizade.

Hoje, o Parque não é tão frequentado, não. Acho que com tantos outros atrativos na Avenida Paulista esse espaço não é tão frequentado quanto poderia. Outra possível razão é o fato de ser bem fechado por arbustos e árvores, como podemos perceber na foto acima. Nessa foto tentei representar o que meus olhos viam: um céu claro, mas um parque escuro.  Eu mesma não o frequento muito, porém, de vez em quando dou uma entradinha lá só para ver o…

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Depois do Fauno, de Brecheret, atravessamos a Avenida para vermos bem de perto o símbolo da Paulista:

MASP

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Em sua inauguração, em 1968, o MASP contou com a presença de ninguém menos que Elizabeth II, a rainha da Inglaterra. Que luxo! Acho que a rainha aproveitou a visita ao Brasil e foi na Confeitaria Colombo, no Rio de Janeiro – conforme vimos no Rio de Janeiro: continua lindo – e também veio para a inauguração do MASP, em São Paulo. Ou será que foi o Brasil que aproveitou a visita da rainha da Inglaterra?

Voltando ao MASP, esse museu tem um acervo fabuloso! Já fiz visita ao acervo permanente dezenas de vezes, até conheço de cor algumas obras. Dentre os pintores mais renomados, temos aqui: Picasso, Matisse, Gaugin, Delacroix, Toulouse-Lautrec, Renoir, Van Gogh, Goya, Rembrandt, Bellini, Frans Hals, Portinari e muitos outros. Também já vi ótimas exposições aqui: Picasso, Monet, Degas, Charles Darwin etc.

Além da pinacoteca, no MASP também há: biblioteca, fototeca, filmoteca, videoteca, curso de artes, dois auditórios destinados à música, cinema e palestras, loja, oficinas e restaurante, além de um serviço educativo de apoio aos eventos culturais. Já tive inúmeras aulas de história da arte aqui.

Ainda com a cabeça nas nuvens, pensando no sofrimento de Van Gogh e na cegueira de Monet, andamos sem perceber por três quarteirões e meio até avistarmos do outro lado da Avenida o…

Conjunto Nacional

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Embora seja uma referência na Av. Paulista, o Conjunto Nacional é mais conhecido por abrigar a…

Livraria Cultura

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Aliás, o que mais há nesse espaço são Livrarias Cultura. Há umas 4 livrarias aqui: uma principal e outras 3 temáticas. Para completar o domínio, ao lado da principal livraria, há o cine Livraria Cultura, ocupando o espaço do antigo cine Bombril, cinema que tinha patrocínio da palha de aço desde 2005.  O cine Bombril morreu junto com o Gemini, em 2010, mas antes dele era o Cinearte que ocupava o espaço. Ao menos está havendo uma sucessão de cinemas. Menos mal.

Voltando à Livraria Cultura, essa não é minha livraria preferida na Av. Paulista, porém não posso negar que é bem bonita. Desgosto levemente desse espaço e não sei bem se é porque preferia que o cine Astor ainda ocupasse o local ou se é porque, de modo geral, a relação que as pessoas mantêm com essa livraria é a mesma que mantêm com um shopping center: um local para consumir, ver e ser visto. Provavelmente o meu desagrado é pelas duas razões.  Eu preferia a relação  público-espaço que havia na livraria antes da reforma, em 2007. Lembro-me de ter visto ótimas palestras na época, e com um público realmente interessado. Foi aqui que consegui que Saramago autografasse meu Ensaio sobre cegueira. Eu também trocaria o cine Livraria Cultura pela volta do Astor.

Gostaria de terminar esse post falando de um espaço que ficava na esquina da Paulista com a Consolação, mas o cine Belas Artes não existe mais. (Reabriu! Eba!). Também não existe mais o Gemini. Nem o Top Cine. Nem o Astor. Nem o Cinearte. Nem o Cine Bombril. Realmente, a Av. Paulista termina na Consolação.

Muito +

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Veja também o álbum fotográfico da Avenida Paulista