São Paulo que vale a pena, n.2: região da Luz

Estação da Luz
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Fiquei em dúvida se faria deste post mais uma parte sobre o centro histórico ou não. Mas como o São Paulo que vale a pena, n.1  já tem 3 partes, achei que ficaria cansativo se acrescentasse uma quarta. Por isso, a Luz, mesmo fazendo parte da região central, tem um número de série só para ela. Essa importância se justifica por estarem localizados na região edifícios lindos e espaços que fazem parte da história econômica cafeeira de São Paulo.

Para fazer nosso city tour virtual narrativo dessa região, podemos considerar que chegamos de metrô ou trem na estação da Luz. Outra opção é partir do Mosteiro São Bento, atravessarmos a ponte Santa Ifigênia, seguirmos uns 4 quarteirões pela Cásper Líbero até chegarmos à…

Estação da Luz

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Essa construção é linda! Com estética vitoriana, a Estação da Luz foi edificada entre os anos 1895 e 1901. A matéria prima dessa estação não poderia vir de outro lugar que não a Inglaterra, principalmente porque a Estação foi feita com o propósito de abrigar a Companhia São Paulo Railway, empresa da Bretanha. Por conta de toda essa influência britânica, muitos pensam que essa Estação é réplica de uma estação inglesa, mas na verdade ela foi inspirada em uma estação australiana de Melbourne, a Flinders Street Station.

+ Conhecer São Paulo: Estação da Luz

Nesse período, a cidade de São Paulo se desenvolvia como decorrência do impulso da economia cafeeira, e a estação da Luz era utilizada para transportar café até o Porto de Santos. A rota do café era de Jundiaí, passando pela Estação da Luz, até o Porto de Santos. Além do desenvolvimento econômico, e também em razão dele, São Paulo foi palco de grande efervescência política, passagem que estudamos na escola como a “política café com leite”, situação em que São Paulo era o café e Minas Gerais, o leite.

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Saindo pela porta principal da Estação, seguindo à direita, temos uma outra entrada, ainda no edifício da Estação da Luz, que dá acesso ao…

Museu da Língua Portuguesa

Museu da Lingua Portuguesa Grande galeria, Museu da Língua Portuguesa (Imagem deste link)

Esse museu foi inaugurado em 2006 (eu me lembro!). O primeiro andar é dedicado a exposições temporárias. Perdi a conta de quantas exposições vi aqui, mas me lembro bem das que mais gostei: Machado de Assis, Clarice Lispector e Guimarães Rosa.

No segundo andar, há a Grande Galeria, um telão com 106m de extensão, com projeção simultânea de vários filmes sobre o tema sobre a nossa língua. Também há a Linha do Tempo, espaço que mostra origem e evolução da língua portuguesa, com recursos interativos e objetos para conhecermos melhor nosso idioma. As Palavras Cruzadas são totens que explicam as várias influências de outros povos e línguas na formação do português. Já o Beco das Palavras é uma sala com jogo eletrônico didático e touch sobre a origem e o significado das palavras. As crianças costumam adorar essa parte do Museu.

No terceiro, há a Praça da Língua. Parece um planetário! Aqui é projetado um filme (com a voz da Fernanda Montenegro) sobre nossa língua. Quando acaba o filme, que dura 10 minutos, o telão se recolhe dando passagem ao espaço mostrado abaixo.

Museu da Lingua Portuguesa2Imagem deste link 

Vários trechos de poemas e músicas são interpretados por diferentes artistas ou especialistas em literatura. Tudo muito bom!

Saindo do Museu, atravessamos a rua e vamos a um outro, com acervo e relação público-espaço totalmente diferente do Museu da Língua Portuguesa. Estamos na…

Pinacoteca

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Em estilo neo-renascentista italiano, o edifício da Pinacoteca também foi projetado por Ramos de Azevedo. Foi construído entre 1887 e 1900 e era o Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Embora tenha sido inaugurada em 1905, a Pinacoteca começou a funcionar apenas em 1911, e o prédio pertenceu ao Liceu até 1921.

O acervo permanente da Pinacoteca é composto sobretudo por obras de artistas brasileiros do século XIX, como Pedro Alexandrino, Almeida Júnior e Benedito Calixto, e do século XX, como Anita Malfatti, Victor Brecheret e Tarsila do Amaral.

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Acho esse prédio lindo! Vi grandes exposições aqui. As que mais me marcaram foram: Rodin, com seu portal do Inferno de Dante; Debret e os desenhos sobre hábitos e costumes do Brasil imperial; Matisse, com suas obras e sua história de vida.

Imediatamente ao lado esquerdo da Pinacoteca, temos o…

Parque da Luz

Parque da Luz

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Quando foi inaugurado, no final do século XVIII, o parque que hoje conhecemos como o Parque da Luz era o  Jardim Botânico da cidade. Poucas décadas depois, já no século XIX, foi reformado e inaugurado ou reinaugurado como o primeiro jardim público da cidade. De lá para cá, o espaço passou por baixo índice de frequência entre os moradores da cidade, descaso do poder público, dentre outras avarias. Até que no final da década de 1990, o governo do estado de São Paulo providenciou a recuperação do Jardim da Luz.

Esse parque não é um dos mais frequentados de São Paulo. Acho que acontece com ele mais ou menos o mesmo que acontece com o Parque Trianon: vários outros pontos atrativos por perto. De tudo que há no parque, devemos dar atenção maior às esculturas, mas sobre isso falarei em um post específico.

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Mesmo após sintomas de cansaço e fome, saímos do Parque, seguimos à direita, atravessamos a rua perpendicular (esqueci o nome) à Rua Mauá, seguimos por mais alguns passos e avistamos do outro lado da rua o…

Centro de Estudos Musicais Tom Jobim

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É ali que funciona a Escola de Música do Estado de São Paulo – Tom Jobim (EMESP Tom Jobim). É uma escola altamente especializada em música erudita. O espaço é uma referência na área e prima pelo ensino de canto e vários instrumentos musicais.

Continuando por nossa calçada, seguimos por mais alguns passos e nos deparamos com a…

Estação Pinacoteca

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Inaugurado em 1914 e projetado também por Ramos de Azevedo,  originalmente, o  edifício do Largo General Osório abrigava armazéns e escritórios da Estrada de Ferro Sorocabana. De 1940 a 1983 o edifício sediou o Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops/SP), o que significa dizer que durante a ditadura militar, nesse espaço foram presas e torturadas muitas pessoas que eram contrárias ao regime. Mas desde 2004, a Pinacoteca do Estado incorporou o edifício, que foi totalmente reformado, e o espaço passou a ser chamado de “Estação Pinacoteca”, local de exposições temporárias da Pinacoteca do Estado. Eu gosto dessa transformação simbólica: recuperação de lugar que representava violência, opressão e autoritarismo num espaço de beleza, liberdade e expressão.

Além das exposições temporárias da Pinacoteca, no térreo do edifício está o…

Memorial da Resistência

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O Memorial da Resistência de São Paulo homenageia os resistentes à opressão de regimes militares em vários países. Também gosto dessa ideia: a criação de um memorial serve para que nunca nos esqueçamos das atrocidades cometidas e para não deixarmos a história se repetir.

+ Conhecer São Paulo: Memorial da Resistência

Aqui também há  um Centro de Documentação e Memória da Pinacoteca do Estado e a Biblioteca Walter Wey, com acervo de artes visuais, tendo como destaque a arte brasileira. Como exposição temporária, já faz tempo que o segundo andar do edifício abriga a  Coleção Nemirovsky, com importantes obras de nossa arte moderna, dentre as quais está Antropofagia, obra de Tarsila do Amaral. Imperdível!

Continuando com nosso city tour, saímos da Estação Pinacoteca e seguimos mais alguns passos até encontrar a…

Estação Júlio Prestes

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A estação Júlio Prestes foi inaugurada em 1938, para sediar a Estrada de Ferro Sorocabana, parte da rota por onde trafegava o café para exportação, nosso principal ativo econômico da época.

Com acabamentos em mármore e granito importado, a arquitetura do edifício é de estilo clássico francês, mais precisamente, Luís XVI. Esse é mais um edifício que eu adoro nessa cidade. Porém, adoro mais ainda a…

Sala São Paulo

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Em 1999, o governo do Estado de São Paulo transformou o hall da Estação Júlio Prestes, área de 984 metros quadrados e pé-direito de 20 metros, na Sala São Paulo. É linda! Tem excelente acústica e capacidade para 1.500 lugares. Já vi ótimos concertos aqui, um dos últimos deles foi a minha cantata (Carmina Burana). Dentre as atrações da cidade, esse é o espaço fechado mais bem avaliado pelo público.

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O teto ajustável por meio de painéis, um ícone de inovação tecnológica, compõe a visão da imagem acima com as pilastras em estilo clássico francês. Eu adoro essa mescla de clássico com contemporâneo.

Ao sairmos da Estação Júlio Prestes, ainda um pouco zonzos com tudo que vimos, demos meia volta e retornamos ao ponto daquele cruzamento com aquela rua que esqueci o nome e resolvemos não atravessar. Seguimos na mesma calçada e, só para espairecer, damos uma voltinha pela…

José Paulino

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Aqui é o paraíso da mulherada! Região que se destaca por ter fábrica de roupas, a José Paulino está para compra de roupas como a Rua 25 de março está para compra de apetrechos (vejam São Paulo que vale a pena, n.1: centro histórico, parte I). Há roupas para todos os gostos e tamanhos e o método de venda pode ser tanto por atacada quanto por varejo. Muitos artigos são realmente baratos por aqui; outros nem tanto. Mesmo assim é um local que vale a pena visitar.

Assim, nos sentindo mais iluminados do que nunca, tanto pela arte quanto pelas compras, encerramos nosso tour pela Luz.

Muito +

Veja toda a série São Paulo que Vale a Pena

Veja a série Comer em São Paulo

Veja também o álbum fotográfico da região da Luz