Viajar de trem pela Europa: trem noturno, trem de alta velocidade etc.

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Creio que, no Brasil, por não conseguirmos fazer viagens de longa distância por trem, construímos um imaginário romântico a respeito desse meio de transporte. Pelo menos, foi o que aconteceu comigo. Até passar uma temporada na Europa para um estágio de doutorado. Com essa experiência, tive oportunidade de viajar por várias cidades de um mesmo país e, também, de um país a outro, por trem. Aí, minhas expectativas foram confirmadas. Delícia!

Quem estiver planejando uma viagem por conta própria pela Europa e pretende circular de trem entre um país e outro ou entre uma cidade e outra, experimente viajar de trem, se possível. Na França, aconselho a comprar com antecedência mínima de 2 meses para as passagens ficarem bem baratas, chegam a ser um terço do valor cobrando às vésperas da viagem. Essa dica também vale para diversos outros países, principalmente se a viagem for de trem de alta velocidade.

Durante seis meses e meio perambulando (e estudando, é bom lembrar!) pela Europa (2013/2014) e durante férias depois desse período, tive as seguintes experiências de viagens de trem.

França – fui de Paris, com o trem de grande velocidade (TGV), para: Marselha, Strasbourg, Bruxelas, Amsterdam, Luxemburgo, Colônia e Frankfurt. 

No site da SNCF você pode comprar os tíquetes com antecedência de 60 dias, quanto antes comprar, mais barato paga. Assim, uma viagem pode sair por menos da metade do preço se os bilhetes forem comprados dois meses antes.

Para alguns lugares, há a opção de trem convencional e a do TGV, como é o caso de Paris/Blois e Blois/Paris; Paris/Tours e Tours/Paris. As passagens de TGV são, naturalmente, mais caras, porém o tempo do percurso é mais curto. Logo, considere o que é mais importante para você: economizar dinheiro ou tempo.

Há situações em que você pode comprar passagens sem data especificada. Nesse caso, há uma data limite para que a passagem seja usada. Por exemplo, de Paris para regiões próximas da Normandia, podemos comprar a passagem momentos antes de embarcar e a passagem terá validade de uns quinze dias mais ou menos. Isso acontece porque há grande fluxo de pessoas indo e vindo dessas regiões. O mesmo acontece entre as cidades da Cote d’Azur e Provence: de uma cidade para outra, há um prazo dilatado expresso no bilhete. Não há que se falar em compra com antecedência nesses casos.

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Os trens saem pontualmente, em caso de viagens internacionais, chegam à plataforma com maior antecedência pois são mais malas para armazenar etc. Contudo, não posso deixar de dizer que houve exceções nessa pontualidade. Não sei se é regra, mas passei 12 dias na região de Provença e da Riviera Francesa e percebi que lá os trens costumam atrasar.

Informação útil: Se você pretende fazer um percurso de Paris à Bélgica e à Holanda, considere o trajeto do trem de alta velocidade. Explicando melhor. O TGV que sai de Paris com destino a esses países faz o seguinte trajeto: Paris, Bruxelas, Bruges, Roterdam, Schinpol (aeroporto de Amsterdam) e Amsterdam.Essas informações ajudam a planejar a viagem.

Veja os posts da região de Côte d’Azur e posts da região de Provence. Veja os posts da França aqui.

Bélgica – fui de Bruxelas para Bruges, Gent e Antuérpia.

Como fiz trajetos muito demandados, por isso, não é necessário fazer reserva de bilhete com antecedência. Os preços parecem ser tabelados, não se alteram com a proximidade da viagem. A operadora de trens é a NMBS/SNCB . Você pode simplesmente embarcar e desembarcar. 

Veja a duração aproximada das viagens de trem entre as principais cidades da Bélgica pelos trens InterCity:

De  Para

Trens  intercidades

Bruxelas Antuérpia 47 min
Bruxelas Bruges  56 min
Bruxelas Gent 31 min
Bruxelas Liège 58 min
Gent Antuérpia 55 min

Também há trens de alta velocidade que operam ida e volta:

  • Os trens EuroCity conectam Bruxelas a Luxemburgo, Estrasburgo (França) e Basileia (Suíça).
  • Os trens Eurostar operam entre Bruxelas e Londres (Grã-Bretanha).
  • Os trens ICE conectam Bruxelas a cidades alemãs, como Colônia e Frankfurt.
  • Os trens Thalys conectam Bruxelas a Amsterdã (Países Baixos) e Paris (França).
  • Os trens TGV conectam Bruxelas a Paris e Marselha (França).

Creio que no caso dos trens de alta velocidade temos que comprar os bilhetes com antecedência para pagar mais barato e garantir a reserva. Só tive a experiência de viajar de Paris/Bruxelas e Bruxelas/Paris; os bilhetes foram comprados com antecedência de 60 dias e não tive nenhum problema.

 Veja os posts da Bélgica aqui.

Holanda – fui de Amsterdam para Schiedam, Delft e Haia.

Também não há necessidade de reserva de bilhetes para passagens intermunicipais para as principais cidades da Holanda. Os trens são pontuais e tem a mesma estrutura dos trens de Paris e da Bélgica,

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Veja os posts da Holanda aqui.

Inglaterra – Fui de Eurostar Paris-Londres/Londres-Paris.

Fiz a famosa travessia de Paris a Londres com aquele trem de alta velocidade que atravessa o Canal da Mancha. Não se iludam com essa viagem, pois não percebemos a passagem por esse Canal.

Veja os posts da Inglaterra aqui

Itália – fui de Roma para: Pompeia e Veneza; de Florença para Pisa e para Roma.

A principal operadora de trens da Itália é a Trenitalia. Se você quiser pagar bons preços, compre os bilhetes com antecedência. Os trens Frecciarossa, da Trenitalia têm wi-fi.

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Ao contrário do que me disseram, não passei pela experiência de atrasos com os trens italianos. 

Veja os posts da Itália aqui.

Espanha – fui de Barcelona para: Montserrat, em trem convencional, e para Madri, em trem de alta velocidade.

Creio que em todos os trens de alta velocidade da Europa, a reserva de bilhete é obrigatória e quanto antes o bilhete for adquirido, mais barato fica.  Uma coisa importante a dizer: nunca compre um bilhete para trem de alta velocidade em cima da hora, pois fica muito caro. Com antecedência superior a um mês pode sair menos da metade do preço.

 Veja os posts da Espanha aqui.

Suíça – Genebra, Lucerna, Zurique, Interlaken, Berna e Montreux… fui de uma cidade a outra de trem convencional.

A operadora de trens da Suíça é a SBBMelhor opção de transporte é impossível. Vejam a imagem  através da janela do trem enquanto estava indo de Berna à Interlaken.

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A Suíça é um país caro, logo, as passagens de trem não são baratas. Aconselho a comprar o Swiss Pass (veja o post sobre ele aqui).

Veja os posts da Suíça aqui.

Leste Europeu

Em maio de 2015 planejei uma viagem para o Leste Europeu, ocasião em que fiz as viagens internas entre países de trem. A estrutura de transporte do Leste Europeu já pode ser comparada a da Europa Ocidental: os trens são bons e pontuais. Os trajetos que fiz foram:

  • De Viena para Budapeste
  • De Budapeste para Bratislava
  • De Bratislava para Cracóvia
  • De Cracóvia para Praga

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De Budapeste para Bratislava e de Cracóvia para Praga, utilizei o trem noturno. Não gostei muito da primeira experiência e gostei mais da segunda.

A primeira experiência não foi muito boa porque eu não sabia como funcionava, o que significa dizer que não sabia que cada cabine tem 2 treliches e não há lugar suficiente para todas as bagagens. Também não foi legal o fato de o trem ter vindo de outro destinos, e as cabines já estavam com camas ocupadas. Para piorar, o aquecedor estava ligado, o que deixava o ar abafado, irrespirável. Somado a isso, tive a preocupação se saberia descer na estação certa (não sabia que um funcionário avisaria quando chegasse, já que ficava com as passagens de cada um) e não dormi. Enfim, tive que me adaptar a uma situação totalmente nova, sem saber como funcionava direito e tendo que me adaptar com o trem em movimento. 

A segunda experiência foi melhor porque eu estava com a expectativa da primeira experiência, mas o que foi inconveniente na primeira não aconteceu na segunda experiência: tive tempo suficiente para me organizar na cabine, o trem não vinha de outros destinos, a cabine era arejada e eu já sabia que iriam me chamar quando chegasse minha estação de destino.

Resumindo a experiência com trem noturno: se você conseguir se assegurar de como será a cabine, qual cama irá ocupar, se o trem vem de outros destinos… enfim, tudo que te deixar inseguro, passe pela experiência. Se tiver sono leve e ficar intratável se não dormir direito, não será uma boa experiência para você. Porém, quando você já sabe como funciona e não acontece nenhuma grande inconveniência, poderá passar uma noite mais confortável do que em avião.

Veja os posts de Viena aqui

Veja os posts de Budapeste aqui

Veja os posts de Bratislava aqui

Veja os posts de Cracóvia aqui

Veja os posts da República Tcheca aqui

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