Você sabia?, n.10: origem dos calendários

0 Flares 0 Flares ×

Você sabia por que há tantos calendários (gregoriano, judaico, juliano) e quais são os critérios para elaboração de cada um deles? Um erro cometido 46 anos antes de Cristo foi a causa de boa parte da confusão. E a culpa foi de Júlio César [de novo ele]. Segue explicação descrevendo erros de continha, indocilidade entre Igreja e Estado.

A Terra demora 365 dias, 5 horas e 49 minutos para girar em torno do Sol.

Rômulo, o primeiro rei de Roma, depois de matar o irmão, Remo, fez o primeiro calendário, que começava em março. Isso explica o nome do décimo mês, o dezembro. O mesmo raciocínio vale para os meses de setembro a novembro.

O segundo rei de Roma, Numa Pompílio, decretou o acréscimo de um mês e dez dias entre 23 e 24 de fevereiro para adequar o calendário civil a contagem de tempo ao ano solar.

Júlio César mudou de novo, acompanhando o calendário egípicio. Para tentar corrigir o problema das inconsistências astronômicas, ele decretou que o ano 46 a.C. tivesse 445 dias e que todos os anos seguintes tivessem 365. A cada quatro anos, um dia seria adicionado ao mês de fevereiro, que teria então 29 dias. E o ano ficou com 365 dias distribuídos por 12 meses.

Nesse processo, Sosígenes, um astrônomo de Alexandria que, a pedido de Júlio César, tratou da reforma do calendário, descobriu que o ano solar tinha seis horas a mais que o ano civil. Inseriu-se, então, no dia 24 de fevereiro, que o ano não começava mais em primeiro de março, mas em primeiro de janeiro. Contudo, o calendário de Júlio César cometeu um erro de 11 minutos e oito segundos, criando um excesso de 3 anos bissextos a cada 385 anos, provocando uma discrepância na datação dos equinócios e solstícios.

Como o equinócio do outono (primavera no Hemisfério Norte) marca o início da Páscoa [vejam Você Sabia? n. 4], a Igreja resolveu interferir. Ao lado do astrônomo Clavius, o papa Gregório XIII inaugurou um novo calendário, decretando que quinta-feira, 4 de outubro de 1582, no calendário Juliano, seria seguida por sexta-feira, 15 de outubro, no calendário gregoriano para evitar que voltassem a ocorrer acúmulos de erros como se dera no sistema anterior, as passagens de séculos (1600, 1700, 1800…) não seriam consideradas anos bissextos, com exceção daqueles que fossem divididos por 400, como foi o caso do ano 2000. Onze dias desapareceram da história por decreto papal.

Apesar da recomendação do papa, só a Itália, a Espanha e Portugal obedeceram, de imediato, à bula inter gravissimas. Deu-se na história dessas nações, durante 10 dias, um buraco negro. Como no século XVI o Brasil era colônia portuguesa, nada constou por aqui para registro dos historiadores entre 4 e 15 de outubro de 1582.

Aos poucos, outros países católicos adotaram o calendário gregoriano. A França, com dois meses de atraso, em dezembro. Evidentemente, deu-se uma confusão até tudo ficar regularizado.

Como a reforma veio da Igreja Católica, nem todos ficaram satisfeitos. Os países protestantes, depois de muito relutar, acabaram cedendo. A Inglaterra anglicana só se curvou à maioria em 1752. Tanto em Londres como em Nova York, depois da quarta-feira, 3 de setembro de 1752, veio a quinta-feira, 14 de setembro. Um dos últimos países a abandonar o calendário juliano foi a Rússia, depois da Revolução Soviética, no dia 1º de fevereiro de 1918, que se tornou 14 de fevereiro.

Calendários de outras religiões

Para os judeus, o calendário começa no dia em que o Universo foi criado, segundo o Gênesis, no Antigo Testamento, e o segundo milênio começou em 1761 a.C.

Para os muçulmanos, a passagem do tempo é medida em ciclos lunares contados a partir da fundação da primeira comunidade islâmica, em Medina, na península Arábica, pelo profeta Maomé. O ano 2000 dos muçulmanos cairá em 2562 no calendário gregoriano.

O problema ao criar um calendário simples é que o céu não se presta a nossa contagem em números inteiros. Por exemplo: o intervalo entre dois ciclos lunares é de 29,53 dias, o que faz com que um mês lunar tenha 29 (ou 30 dias) e um ano lunar (12 meses lunares), um total de 354,36 dias, menos do que um ano solar, de 365,2422 dias.

Em meio a tanto erro de cálculo, nem o ano que Jesus nasceu se sabe ao certo. Provavelmente, Jesus Cristo nasceu no ano 749 da fundação de Roma, isto é, por volta do ano 6 a.C.

Como vocês puderam perceber, até para classificar datas houve disputa de poder entre Estado e Igreja. Mas a natureza não se curva, a Astronomia tem sua lógica própria, riu de tudo isso e atrapalhou as continhas dos humanos.

Muito +

Veja toda a série Você sabia?