Você sabia?, n.26: origem da Revolução de 1932

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Você sabia o que foi a Revolução Constitucionalista de 1932? Ou a origem do feriado 9 de julho?

Nem todo mundo sabe, mas tivemos um movimento armado em São Paulo. Foi a Revolução Constitucionalista de 1932. De julho a outubro de 1932 pretendeu-se a queda do governo provisório de Getúlio Vargas e a promulgação de uma nova constituição. Já adianto que a constituição só vingou em 1934.

Antes de mais nada, vamos entender o que era São Paulo nesse período. A economia cafeeira elevou o estado de São Paulo a um patamar até então não imaginado. Como produção econômica acelerada e de industrialização são dois fenômenos que caminham juntos, na primeira metade do século XX o estado enriqueceu consideravelmente. E como economia e política são indissociáveis, São Paulo entrou para o circuito da articulação política.

Para entender a Revolução Constitucionalista de 1932, tenho que falar da Revolução de 1930, senão aquela ficará incompreensível. A Revolução de 1930 também foi um movimento armado. Mas São Paulo nada tinha a ver com isso. Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul lideram o movimento, que resultou no golpe de estado de 1930, quando o presidente da república Washington Luís foi deposto e também foi impedido de subir ao poder o presidente eleito Júlio Prestes. Esse foi o fim da República Velha.

Isso aconteceu porque um pouco antes, em 1929, São Paulo rompeu a famosa política do café-com-leite que mantinha com Minas Gerais. Assim, São Paulo indicou Julio Prestes à presidência; em contrapartida, Minas Gerais apoiou a candidatura de Getúlio Vargas, que já vinha fazendo oposição à política do café-com-leite que deixava Rio Grande do Sul fora da jogada.

Assim, em março de 1930, ocorreram as eleições para presidente da república. Mesmo com a vitória, Julio Prestes não assumiu em razão do golpe e em outubro do mesmo ano foi exilado.

Voltando à Revolução de 1932, os paulistas exigiam de Vargas a elaboração de uma nova Constituição e a convocação de eleições para presidentes. Também criticavam a forma autoritária com que Vargas vinha conduzindo a política do país. Queriam mais democracia e maior participação na vida política do Brasil. Enfim, as reivindicações de sempre. Além disso, exigiam a saída do interventor pernambucano João Alberto e a nomeação de um interventor paulista. Vargas não deu bola a nenhuma dessas reivindicações. Por isso, em maio de 1932 começou uma série de manifestações de rua contrárias a Vargas. Numa destas manifestações, houve forte reação policial, ocasionando a morte de quatro estudantes (Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo), donos das famosas iniciais MMDC, que se transformaram no símbolo da Revolução.

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No dia 9 de julho de 1932, o conflito armado começou. Os revolucionários pretendiam atacar a sede do governo federal e forçar Vargas a deixar o cargo ou negociar com eles. Porém, a ampla participação militar não foi suficiente para fazer ceder o governo central. Embora o movimento tivesse simpatizantes de outros estados, o bloqueio naval da Marinha ao Porto de Santos impediu que militantes de outros estados pudessem integrar a Revolução Constitucionalista.

Em de setembro daquele ano, as forças do governo federal tinham tomado diversas cidades de São Paulo. A superioridade das tropas governamentais forçou a rendição dos revolucionários no mês de outubro. Após ajustes, envolvendo indulto aos rebeldes e facilidades para o exílio dos líderes civis e militares do movimento, os paulistas anunciam sua rendição em 3 de outubro de 1932.

Como balanço da Revolução, temos: 87 dias de combates (de 9 de julho a  4 de outubro de 1932); saldo oficial de 934 mortos; estimativas não oficiais reportam até 2200 mortos.

Em 20 de junho de 2011, a lei 2.430, inscreveu os nomes de Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, o MMDC, heróis paulistas da Revolução Constitucionalista de 1932, no Livro dos Heróis da Pátria. No entanto, prefiro as homenagens no Obelisco do Ibirapuera.

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Esse obelisco é símbolo da Revolução de 1932. Com 72 metros de altura, é o maior monumento da cidade. Ele foi iniciado em 1+947, mas concluído somente em 1970.  Vejam como esse espaço é lindo por dentro: 

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O mármore é lindo! Há várias capelas, e desenhos em mosaico veneziano.

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Os corpos dos MMDC estão nesse mausoléu, além de outros 713 ex-combatentes.

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 No centro da cidade, há um museu sobre a Revolução Constitucionalista de 1932. Ainda não estive lá, mas contarei aqui quando eu for.

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