Você sabia?, n.30: origem do dia da consciência negra

0 Flares 0 Flares ×

Você sabia qual é a origem do dia da consciência negra?

Em algumas cidades do Brasil, dia 20 de novembro é feriado; todos nós ficamos contentes e tudo, mas nem todos de nós sabemos a razão desse feriado. Alguns sabem que é em comemoração à consciência negra; outros, nem isso. Mas por que 20 de novembro e não outro dia?

Em 20 de novembro de 1695 morreu Zumbi, o último dos líderes do Quilombo dos Palmares. Vamos conhecer um pouco de sua história, ou melhor, antes de sua história, a história de seu contexto.

No final do século XVI, por volta de 1587, após fugirem do trabalho escravo dos engenhos de café, alguns negros fundaram na Serra da Barriga o Quilombo dos Palmares onde hoje são os estados de Bahia e Alagoas. Esse Quilombo constitui-se num reino composto por escravos negros que haviam fugido de fazendas, prisões e senzalas. A região ocupada por esse Quilombo tinha um tamanho próximo ao de Portugal. Em pouco tempo, a população de Palmares chegou a 3 mil habitantes.

A função do Quilombo dos Palmares consistia em garantir a subsistência e a proteção desses ex-escravos. Desnecessário dizer que frequentemente o Quilombo era atacado pelas forças armadas, mas sempre resistia.

Paralelamente, em 1630, começaram as invasões holandesas no Nordeste, desorganizando a logística local e facilitando mais fugas de escravos. Em 1644, os holandeses também tentaram acabar como Quilombo, contudo, assim como os portugueses que já haviam tentado, fracassaram. Os holandeses deixaram o Nordeste em 1654.

Em 1655, na Serra da Barriga, no contexto de Palmares, nasceu Francisco, que recebeu os sacramentos, aprendeu português e latim e ajudava na celebração da missa diariamente. Mais tarde, Francisco tornou-se Zumbi dos PalmaresZumbi vem do termo zumbe, do idioma africano quimbundo e significa fantasma, espectro.

Em 1670, Ganga Zumba, filho da princesa Aqualtune do Reino do Congo, assume a chefia desses negros fugidos, tornando-se o primeiro líder do Quilombo dos Palmares, que já contava com 30 mil habitantes. Ganga Zumba era tio de Zumbi.

Cinco anos depois que Zumba assumiu a liderança do Quilombo, numa luta contra soldados portugueses, Zumbi surge como um grande guerreiro e com liderança militar. Nessa época, o Quilombo tinha duzentos quilômetros de extensão, era como uma fortaleza composta por uma rede de onze mocambos cercados com paliçadas de madeira.

Sabendo que caso conseguisse destruir os mocambos do Quilombo dos Palmares eles seriam reerguidos, o governador da capitania de Pernambuco, Pedro de Almeida, preferiu negociar com os negros. O governador tinha consciência da rede organizada de subsistência dos quilombolas, que faziam, com palha das palmeiras, seus próprios utensílios, como esteiras, vassouras, chapéus, cestos e leques; faziam, com cascas de árvores, suas próprias vestimentas; extraiam óleo da noz de palma; produziam manteiga de coco, plantavam milho, mandioca, legumes, feijão e cana e comercializavam seus produtos com pequenas povoações vizinhas, de brancos e mestiços. Enfim, era uma povo autossuficiente.

Assim, em 1678, Pedro de Almeida propôs a Zumba paz e alforria para todos os quilombolas de Palmares, visando a submissão dos negros à vontade dos brancos, o que enfraquecia os revoltosos. Zumba aceitou a proposta, porém, Zumbi foi contra, pois com a condição proposta alguns negros seriam libertos, os do Quilombos, enquanto outros continuariam como escravos, os que não haviam conseguido fugir. Outra razão de resistência por parte de Zumbi era querer preservar as próprias leis e crenças que haviam estipulado, ou seja, não queria abrir mão de sua cultura.

Desse modo, Zumbi desafiou a liderança de Zumba, prometendo continuar a resistência contra a opressão portuguesa e tornando-se o novo líder do Quilombo de Palmares., em 1680. Neste mesmo ano, Zumba morre envenenado.

Em 1694, com 200 homens armados, os portugueses atacam o principal mocambo de Palmares. Com quase 100 anos de resistência, o Quilombo dos Palmares sucumbe aos portugueses. Mesmo ferido, Zumbi conseguiu fugir.

No ano seguinte, vítima da traição de um falso amigo, que o denunciou aos portugueses. Zumbi foi preso, teve a cabeça cortada, salgada e levada ao governador Melo de Castro.

No espaço representado na imagem abaixo, o Pátio do Carmo de Recife, visando desmentir a crença da população sobre a lenda da imortalidade do líder do Quilombo dos Palmares, a cabeça de Zumbi dos Palmares ficou exposta até decompor-se.
 
DSC_0810
  
Em 14 de março de 1696, o governador Caetano de Melo de Castro, escreveu ao Rei:
“Determinei que pusessem sua cabeça em um poste no lugar mais público desta praça, para satisfazer os ofendidos e justamente queixosos e atemorizar os negros que supersticiosamente julgavam Zumbi um imortal, para que entendessem que esta empresa acabava de todo com os Palmares.
 

Muito +

Veja toda a série Você sabia?