Você sabia?, n.7: origem do termo “cesariana”

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Aos inveterados curiosos, eis a resposta à questão: o termo “cesariana” realmente é derivada do nome do imperador romano, o Júlio César? 

Segue mais uma pesquisa arqueológica. Tenham paciência! Vale a pena! Acreditem. Ficarão sabidinhos. Mais demorado que ler, é pesquisar e digitar tudo isso.

Sobre o tema, várias versões são encontradas na literatura. A primeira, a mais difundida, é a que Júlio César (100 a.C. – 44 a.C.) teria nascido pela abertura do ventre de sua mãe, desde então estabeleceu-se um vínculo entre Júlio César e a denominação de cesariana ou cesárea dada a essa operação.  [Dessa versão dá para desconfiar porque já que a prática da cesariana até o final do século XIX levava invariavelmente à morte materna e se sabe que a mãe de Júlio César, Aurélia, viveu muitos anos e teve outros filhos depois dele].

Outra versão é a de que Nero, um dos doze césares, teria mandado assassinar sua própria mãe, Agripina, para abrir o ventre dela para ver onde ele havia sido gerado. [Igualmente inconsistente. Muito antes de Nero a operação cesariana já era bem conhecida, e os que nasciam por meio dela, após a morte da mãe, eram chamados caesones].

É mais provável que o termo tenha se originado do verbo latino caedo, caedici, caeso, caedere, que significa cortar. Poderá estar também relacionada com a lei romana Lex Caesarea, que impedia que mulheres mortas fossem enterradas antes de tentar salvar o feto.

[Pronto! Até aqui foi a tentativa de resposta. Agora seguem curiosidades aos insaciáveis, aqueles que percorrem incansavel e vorazmente os caminhos do saber.]

Sobrevoo histórico

A cesárea após a morte da parturiente já era praticada possivelmente entre os egípcios e outras civilizações antigas.

Na mitologia grega, o próprio deus da Medicina, Asclépio, filho de Apolo e da ninfa Coronis, teria nascido de uma cesárea após a mãe ter sido morta por Artemis, a pedido de Apolo, que ficara enciumado com a infidelidade de Coronis.

No reinado de Numa Pompilius (700 AC), a lei romana proibia enterrar uma gestante morta, antes da retirada do feto de seu abdome. Os romanos chamavam de caesares ou caesones aos que eram retirados com vida por abertura da parede abdominal após a morte da mãe.

O primeiro relato de cesárea em parturiente viva refere-se à realizada na Suíça, por Jacob Nufer, um castrador de porcas [sim, porcas! só para abalar a auto-estima feminina.], em sua própria esposa, no ano de 1500. A paciente sobreviveu e teve outras gestações posteriores com partos normais.

Em 1581 Rousset publicou o seu Traité Nouveau de L’hysterotomotokie ou Enfantement Césarien, no qual relata histórias de casos operados por cirurgiões-barbeiros da época [preferia o castrador de porcas].

A partir do século XVII a operação cesariana passou a fazer parte integrante da obstetrícia, porém com elevada mortalidade materna e fetal [continuo com o castrador. Ele teve mais êxito].

Somente no século XX a cesárea tornou-se uma operação rotineira [ufa! ainda bem que nascemos no século certo].

Outros nomes, formados de radicais gregos, já foram propostos em substituição a cesárea ou cesariana, tais como hipogastrotomia, tomotocia, histerotomia, metrotomia, láparo-histerotomia, gastro-histerotomia, célio-histerotomia, histerotocotomia, histerotomotocia, e outros, porém não lograram aceitação [por que será?].

Dúvidas de grafia

Devemos escrever cesárea com e, porquanto cesária com i designa um instrumento de corte utilizado na encadernação de livros. Já cesariana escreve-se com i , pois a terminação –eano(a) constitui exceção em português e emprega-se em reduzido número de adjetivos.Também não se deve grafar cesárea ou cesariana com z, pois como todos nós já aprendemos no ginásio, se na forma infinitiva ou substantiva, grafamos a palavra com s; na derivação o s não pode ser substituído por z.

Como na contemporaneidade cada vez mais subvertemos a função gramatical das palavras (usamos ética como adjetivo e jovem com como substantivo), o mesmo ocorreu com cesárea e cesariana, que eram primordialmente apenas adjetivos e agora são usadas como substantivos.

Ave César!

Caio Júlio César (Gaius Julius Caesar, em latim) foi o primeiro dos doze césares do Império Romano. Antes, apenas um sobrenome de família, Caesar tornou-se um título equivalente ao de Imperador, tal foi a destacada atuação e o poder alcançado por Júlio César como general, político, administrador e governante. O título de Caesar passou para o germânico como Kaiser e para o russo como Tzar ou Czar.

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