Você sabia?, n.20: origem do batom

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Você sabia qual a origem do batom?

Lime Crime, Kat von D., MAC… são marcas de batom com as quais a maior parte das vaidosas sonham em busca de luxo-poder-sedução. Mulher é assim mesmo e saibam que são assim não é de hoje.

Por volta de  1350 a.C., Nefertite, rainha egípcia já usava batom. Essa é a notícia mais remota que se tem sobre esse costume. Percebam que no busto abaixo ela tem os lábios pintados. 

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É claro que naquela época não se pintava os lábios com um bastão ou com glosses como utilizamos atualmente. As mulheres antigas utilizavam corantes para pintar os lábios, pulverizavam minérios, usavam pigmentos naturais extraídos de joias para destacar os lábios. 

Depois de Nefertiti, o grande ícone feminino de batom foi Cleópatra, também rainha egípcia. Será que somente as rainhas egípcias usavam batom? Parece que não. Na Grécia, século II, as mulheres também usavam batom, mas só podiam desfrutar da coloração nos lábios após o casamento, pois havia uma lei que proibia o uso antes durante a solteirice, porque lábios pintados eram considerados como um instrumento de sedução e manipulação. Que injustiça… 

Não sei se na época de Nefertiti ou de Cleópatra, só sei que nessa vibe de vaidade e sedução, as egípcias criaram um corante vermelho feito de algas marinhas, iodo e bromo, o que resultou num batom rico em ácido. Mas o resultado pior foram as inúmeras doenças infecciosas em mulheres e homens. Por este motivo, acabou ficando conhecido na época como “O beijo da morte”.

Avançando no tempo, não posso deixar de observar que as mulheres são sempre estigmatizadas. Na Espanha do século VI, só  as mulheres das classes sociais mais baixas usavam batom. Acho que o uso era considerado vulgar ou algo assim.

No século XIII, em Pisa, um monge descobriu o carmim de Cochinella, pigmento vermelho insolúvel em água. Essa descoberta mudou a vida das vaidosas, pois a partir dela o batom foi repensado e reconfigurado. 

Foi no século XVI que o batom começou a ganhar mais popularidade. Na Inglaterra, durante o reinado da rainha Elisabeth I, o batom era confeccionado a partir de tintas vegetais e cera de abelha. Naquela época,  ter os lábios vermelhos brilhantes e um rosto branco e austero tornou-se moda. Porém não era moda para todas. Apenas as mulheres da classe alta e atores masculinos que usavam maquiagem.

Já no século seguinte, mais precisamente em 1770, o parlamento inglês proibiu o uso de pigmento nos lábios por achar que o batom era um artifício para seduzir e manipular os homens. Nesse mesmo ano, foi proposta uma lei britânica que dizia que um casamento deveria ser anulado caso a mulher usasse cosméticos antes do casamento. Pode?

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Como Oriente parece sempre estar mais avançado, nesse mesmo século XVIII, as gueixas usavam pétalas de açafrão esmagadas para pintar os lábios.

No final do século XIX, o primeiro batom da história moderna foi introduzido em Paris. Rhocopis, um perfumista francês, inventou o chamado “bàton serviteur” (bastão servidor), um tipo de massa feita de talco, óleo de amêndoas, essências de bergamota e limão, e de cor vermelha, que passou a ser usada por mulheres para colorir a boca. Não demorou muito para que  atrizes e mulheres da vida se encantassem com o produto.

No entanto, somente após a Primeira Guerra Mundial é que as donas de casa, influenciadas por artistas de cinema, perderam o preconceito e começaram a aderir à moda do batom vermelho.

Em 1921, foi lançado o primeiro batom em tubo, em Paris. Nesse mesmo ano, revista Vogue divulgou o produto como um acessório de elegância que todas as mulheres de classe deveriam possuir. Só em 1930 a fórmula sólida do batom teve início. Por conta de tudo isso, em 1930, os batons se tornaram sucesso de vendas nos Estados Unidos.

Repararam que por essência, o batom é vermelho, todas as outras cores são derivações, alternativas de uso. Não é por acaso que batom em francês é rouge aux lèvres (vermelho nos lábios). Outro detalhe: perceberam que as mulheres sempre são acusadas e repreendidas por seduzirem os homens, pobres vítimas? No Oriente, as mulheres tem que cobrir o cabelo, “que tem brilho sedutor”; a Eva, da bíblia, é quem leva a má fama por ter “seduzido” o Adão a comer a maçã. E agora tem essa da sedução pelo batom. Ai, ai, ai…

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